Cristovão Tezza estreia na poesia com Eu, Prosador, Me Confesso; veja entrevista

Por Metro Curitiba
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O romancista, contista, cronista e ensaísta Cristovão Tezza – que é autor de mais de 20 livros publicados no Brasil – lançou recentemente o novo título "Eu, Prosador, Me Confesso".

Ele falou com o Metro Jornal sobre a publicação. Confira entrevista.

O que leva um escritor de romances premiados, com uma carreira consagrada na prosa, a arriscar-se no difícil mundo da poesia?
De fato, a poesia é difícil, muito mais do que a prosa. Mas eu fui poeta quando jovem, e depois a prosa tomou conta. Digamos que foi uma recaída poética, não exatamente uma escolha. Os poemas foram acontecendo.

É possível comparar o processo de produção da poesia com o de um romance?
São modos de escrita completamente diferentes. Um romance nasce de uma ideia, vira um roteiro, ganha uma linguagem e, em seguida, um trabalho braçal, todos os dias, durante um ano e meio. Já a poesia é um estalo; um verso solto, uma imagem, uma ideia concentrada em palavras​. Voltei a acreditar em “inspiração” ao escrever poesia. Não dá para levantar cedo, tomar café, ir ao escritório e decidir: “Vou escrever um poema”. Mas, a prosa, para mim, é bem assim.

E sua autocrítica? Você está satisfeito com a obra?
Gostei dos poemas de alguma forma, ou não teria coragem de publicá-los. Foi um projeto do editor, que, a partir de um poema meu, perguntou: “Você tem mais poesias?” Daí surgiu o “Eu, Prosador, Me Confesso”. É uma edição artesanal, feita em linotipo, no capricho, e com tiragem limitada: são apenas 300 exemplares. Fiquei feliz com o resultado.

Sua poesia tem inspiração nos modernistas e até pode ser considerada tributo a Drummond. É isso mesmo?
Drummond é uma figura incontornável da linguagem brasileira – a rigor, não só da poesia. Sim, há algo de “drummondiano” em muitos dos meus poemas. Também de Manuel Bandeira, o toque de humor. Mas o tempo todo eu tento ser eu mesmo, o que é sempre uma tarefa difícil.

Pretende fazer mais poesia?
Sim. Percebo que vou escrever mais poesia, sempre que me bater a inspiração. Mas é um processo lento, e incontrolável. É um acaso que me deixa feliz.

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