Mexicanos se despedem de Chaves no Estádio Azteca

Por Nadia
Fãs se despedem de Roberto Bolaños | Tomas Bravo/Reuters Fãs se despedem de Roberto Bolaños | Tomas Bravo/Reuters

Fantasiados como as famosas personagens criadas por Roberto Gómez Bolaños, o Chaves, centenas de mexicanos aguardaram por horas em uma longa fila para poder participar das homenagens que o comediante recebeu este domingo, dia 29, no Estádio Azteca.

“Era como um irmão, como um tio, como um pai. Por isso viemos aqui para nos despedir dele”, declara Esteban Chávez, um dos muitos fãs de Bolaños. O caixão com o corpo de Bolanos será levado para o estádio, que pertence à rede Televisa, para onde o comediante trabalhou boa parte de sua carreira.

Depois de uma cerimônia religiosa realizada na presença de políticos e artistas, o caixão será levado de volta para os estúdios da Televisa, onde foi velado na noite de sábado. Lá, parentes, amigos e colegas de trabalho participarão de uma missa privada e fechada à imprensa.

Estiveram presentes no velório, além da esposa de Bolaños, a atriz Florinda Meza – a dona Florinda – e seus seis filhos, outros atores como Edgar Vivar (Seu Barriga) e Carlos Villagrán (Quico), que, apesar de ter mantido uma delicada disputa judicial com o comediante falecido, não deixou de reconhecer sua genialidade.

“Se foi um gênio, um mestre (…) Devo a ele tudo que sei e serei eternamente agradecido”, declarou Villagrán que, junto com María Antonieta de las Nievas (Chiquinha) disputaram com Bolaños os direitos autorais de suas personagens.

No sábado, Bolaños recebeu um minuto de aplausos no Estádio Azteca por parte dos torcedores que foram ver a partida entre o América e o Pumas. No trajeto do caixão entre sua residência em Cancún e a Televisa, também foi ovacionado pelas pessoas nas ruas.

O legendário comediante morreu na sexta-feira, aos 85 anos, de causas ainda não divulgadas. Em suas últimas aparições públicas, Bolaños sempre se deslocava com o auxílio de uma cadeira de rodas.

Ele fez rir gerações de crianças latino-americanas, com personagens inesquecíveis como Chapolin Colorado e Chaves, que usava do humor para revelar os profundos temores que o assombravam desde criança.

Por causa de sua prolífica escrita, que rendeu roteiros para rádio, televisão, cinema, teatro e inclusive vários livros, Bolaños foi apelidado por um colega de Chespirito, um pseudônimo que aliava a comparação com o talento do dramaturgo Shakespeare e um diminutivo que refletia a sua baixa estatura.

O comediante nasceu em 21 de fevereiro de 1929 em uma família de classe média da Cidade do México. Seu pai, um boêmio amantes das artes, trabalhou como desenhista e ilustrador para importantes jornais, mas a vida desregrada provocou sua morte precoce, quando o pequeno Roberto tinha apenas seis anos.

Quando adolescente, Bolaños sonhava ser jogador de futebol e se destacou em torneios escolares de boxe, que disputava escondido da mãe. Aos 22 anos, começou a estudar engenharia mas se aventurou a escrever anúncios em uma agência de publicidade e logo estreou como roteirista em programas de rádio, televisão e cinema que ganharam fama.

Mais tarde, aproveitou a ausência de algum ator nas gravações para fazer graça diante das câmeras, dando os primeiros passos para o comediante que interpretaria personagens nascidos em sua própria imaginação.

Aos 40 anos, Bolaños estreou na televisão mexicana com o programa “Chespirito” que, com interpretações diversas, ficou no ar por 25 anos ininterruptos em horário nobre e foi exportado para inúmeros países.

Mas seu personagem mais celebrado foi Chaves, um menino órfão e pobre que vivia dentro de um barril, em uma vila suburbana, e repetia a frase “foi sem querer, querendo” para se desculpar de suas travessuras.

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