Mexicanos fazem despedida para Bolaños; em SP, fãs lotam exposição no Memorial

Por Nadia
Tomas Bravo/Reuters Milhares de pessoas se despediram de Roberto Gómez Bolaños | Tomas Bravo/Reuters

O Estádio Azteca, na Cidade do México, recebeu neste domingo milhares de pessoas vestidas de Chaves, Quico, Chiquinho, Chapolin e Dona Florinda para se despedir de Roberto Gómez Bolaños, ator e criador de personagens marcantes, que morreu na última sexta, aos 85 anos, de complicações respiratórias.

Um altar foi erguido no centro do estádio, onde o corpo de Bolaños foi velado. O caixão chegou em cima de um carro aberto, com duas estátuas em cada ponta, uma representando Chaves e outra o Chapolin. Na área reservada estavam os seis filhos do ator e sua mulher, Florinda Meza, a intérprete da personagem Dona Florinda.

Em volta do estádio grandes placas com célebres frases de personagens criados pelo astro, como “não contavam com minha astúcia”, do Chapolin Colorado. Dentro, cartazes e faixas também reproduziam dizeres marcantes de “El Chavo”.

O público se comportava como torcida de futebol e a todo momento entoava cantos, como “Arriba, abajo, arri-ba-ba. Bolaños, Chespirito, rá-rá-rá!”,

Amigos, familiares e artistas próximos tiveram uma despedida privada do astro no sábado, na sede da rede de TV Televisa. Uma das presenças mais marcantes foi a de Carlos Villagrán, o Quico, que enfrentou batalhas judiciais com Roberto pelo direito do personagem, desde 1978, quando deixou a equipe dos programas “Chaves” e “Chapolin”. Ex-namorados, Villagrán e Florinda conversaram no velório após cerca de 35 anos de rusgas.

Em São Paulo, fãs lotaram ontem uma exposição que reproduz a vila de Chaves, no Memorial da América Latina. 

Papo de fã: e agora, quem poderá nos defender?

O vazio da perda de Roberto Gómez Bolaños se assemelha a quando nos deixa um amigo. Foi assim mesmo, pois quem frequenta a casa da gente quase que diariamente há 30 anos pode ser considerado assim.

Foi sem querer querendo que Chespirito, o pequeno Shakespeare, fez seus personagens se tornarem parte integrante da vida de milhões e milhões de brasileiros, divertindo e conquistando fãs de todas as idades. Um humor inabalável pela passagem do tempo, puro, simples e universal.

Sua alegria estava na vida difícil de um menino de 8 anos, pobre e abandonado, que lutava contra as dificuldades com bom-humor. Eternizou Chaves, suas frases e suas lições. Ninguém tinha paciência com ele, não é, Seu Madruga? Mas talvez a culpa fosse do professor Linguiça! Uma crítica social repleta de ensinamentos aos mais atentos. Mostrou ao mundo o anti-herói atrapalhado e medroso, mas que sempre reunia coragem para encarar os desafios. Ninguém contava com a astúcia do Chapolin, que, mesmo com os movimentos friamente calculados – obviamente orientados pelas suas anteninhas de vinil – não se cansava de deixar todos em “cânico”.

Não se pode dizer que foi uma surpresa a morte do ator, humorista, roteirista e diretor. Aos 85 anos, Bolaños tinha a saúde bastante debilitada, com a insuficiência respiratória que o vitimou em sua casa em Cancún, no México.

“Prefiro morrer do que perder a vida”, já dizia Chaves. Bolaños morreu, mas seu legado e seus personagens jamais perderão a vida. Os fãs despedem-se, sem jamais dizer adeus. Chaves e Chapolim são eternos. E a certeza de que no céu existe sanduíche de presunto!

Wilson Dell’isola – editor de esportes e fã de Chaves e Chapolin 

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