‘Relatos Selvagens’ narra com bom humor histórias de injustiças resolvidas de forma explosiva

Por lyafichmann

É raro encontrar alguém que nunca tenha pensado em viver um dia de fúria. O instinto de autopreservação, no entanto, costuma falar mais alto. Mas e se fosse o contrário?

Em vez de explodir contra o mundo, o diretor argentino Damián Szifrón resolveu criar personagens capazes de fazê-lo em “Relatos Selvagens”, que estreia nesta quinta-feira após ter disputado a Palma de Ouro no Festival de Cannes e aberto a 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

O longa apresenta seis histórias curtas e independentes, cada qual retratando uma situação em que alguém passa do ponto na hora de reagir a algo. Segundo o diretor, todos os relatos têm base na realidade e foram escritos como uma válvula de escape em meio a outros trabalhos. “Isso me libertou muito como escritor. Não sabia que eles todos iam terminar em um mesmo filme”, afirma ele, cujo último longa havia sido “Tempos de Violência” (2005).

Em geral, são histórias que criticam temas comuns a qualquer rotina, como burocracia, desrespeito e injustiça, gerando uma identificação imediata no público. “Muita gente vive a realidade e não tem tempo de se questionar sobre as coisas, mas toda nossa vida está atravessada por elas”, explica.

Não é à toa que o longa é um dos maiores blockbusters recentes da Argentina, com três milhões de espectadores – feito surpreendente em um país no qual raras bilheterias ultrapassam um milhão de pagantes. Talvez por isso os hermanos o tenham escolhido para representar o país na disputa pelo Oscar de melhor filme estrangeiro em 2015. “Sempre gostei muito de filmes cujo destino era um público mais amplo e, quando escrevo, imagino a sala cheia de gente, mas não havíamos previsto esse sucesso.”

“Relatos Selvagens” poderia ser apenas uma produção violenta, mas o talento de Szifrón para a ironia e o humor negro fazem com que a produção seja uma crítica ácida e certeira às desonestidades da realidade cotidiana. “Gosto da metáfora e da ironia como figuras de linguagem, mas não as uso como dispositivos conscientes. Minhas ferramenta é a ficção. Em geral, o fim de qualquer história marca o sentido moral do relato, mas eu não tinha um sentido moral a priori. Fui avançando com os personagens e tomando decisões com eles. Ao fim, me surpreendi até onde tudo foi. É como um sonho em que você não controla o que acontece”, conclui.

“Pasternak”
Passageiros de um avião começam a puxar conversa uns com os outros e descobrem conhecer alguém em comum. Uma série de coincidências logo revela que algo que está errado.

“As Ratas”
Em um restaurante isolado, uma garçonete (Julieta Zylberberg) identifica um cliente (César Bordón) como o homem que provocou a morte de seu pai. Por que não se aproveitar da situação?

“O Mais Forte”
Na estrada, um bon vivant (Leonardo Sbaraglia) xinga e ultrapassa o motorista de um lento caminhão. Mal sabe ele que o pneu de seu carro vai furar logo mais à frente…

“Bombita”
Após ter o carro rebocado de forma irregular, um engenheiro (Ricardo Darín) briga para que o erro seja reconhecido. Mas lutar contra o sistema não é assim tão lógico ou fácil.

“A Proposta”
O filho de um casal de ricaços acaba de atropelar uma mulher grávida. Os pais pensam então: por que não subornar o caseiro para assumir o crime?

“Até que a Morte nos Separe”
O cenário é um casamento tão brega quanto qualquer outro. Tudo segue o roteiro da cerimonialista até a noiva (Erica Rivas) se dar conta de que foi traída pelo marido.



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