"Tenho o teatro dentro de mim", afirma Ary Fontoura

Por lyafichmann
O ator acumula 40 novelas  em sua carreira | Divulgação O ator acumula 40 novelas em sua carreira | Divulgação

Com 81 anos e mais de 40 novelas no currículo, o ator Ary Fontoura pensou em entrar em uma escola de teatro há cerca de 10 anos, por se sentir sem desafios na carreira.

A revelação foi feita durante sua participação no “Depoimentos para a Posteridade”, iniciativa criada pelo Museu da Imagem e do Som do Rio para preservar a memória de ícones da cultura brasileira.

A entrevista vai fazer parte do acervo que o museu reúne desde a década de 1960 e ficará à disposição do público e de pesquisadores.

Recebido como “um dos maiores e melhores atores do Brasil” pela presidente do MIS-RJ, Rosa Maria Araújo, Ary contou histórias de sua infância, percorreu os trabalhos de sua longa carreira e fez duras críticas ao cenário cultural de hoje no Brasil, sempre com bom humor e disposição para falar.

O depoimento durou mais de 5 horas e foi conduzido pela vice-presidente do museu, Rachel Valença, ao lado das atrizes Ângela Rebello e Suely Franco e da jornalista e crítica teatral Tânia Brandão, na sede do MIS, no centro do Rio.

Captura de Tela 2014-10-15 às 18.43.10Ator critica imediatismo da televisão brasileira

Ary Fontoura não poupou palavras ao descrever a situação atual da cultura brasileira, apesar de elogiar a produção audiovisual do país.

O ator contou que, antigamente, as conversas de camarim eram sobre filmes, peças, e outras formas de arte. “Hoje, só falam de prancha, surfe, corpo”, critica.

Também destacou a busca por dinheiro e fama de muitos colegas. “As pessoas fazem uma fantasia a respeito da televisão”, afirmou, relatando as dificuldades financeiras que passou pela carreira.

Ary acredita que a TV brasileira poderia aproveitar melhor os clássicos da literatura nacional. Explicou que a versão do “Sítio do Pica-Pau Amarelo” da qual fez parte, interpretando o Coronel Teodorico, era um ótimo projeto, mas que foi interrompida por “incompetência”, porque as emissoras só buscam resultado imediato da audiência.

Ressaltou, no entanto, o sucesso das novelas nacionais no exterior, dizendo que “nossas novelas se equiparam em qualidade às séries americanas.”

Depoimento foi realizado na sede do MIS-RJ, no centro do Rio | Divugação Depoimento foi realizado na sede do MIS-RJ, no centro do Rio | Divugação

Apresentação para os amigos ocorria no porão de casa

O interesse de Ary Fontoura pelas artes começou desde cedo: quando tinha cerca de quatro anos, ouvia discos de 78 rotações de seu avô e cantava para ele depois. “Acho que começou aí”, disse.

O ator reunia os amigos no porão de casa, em um auditório improvisado, para se apresentar. Surgiu nessa época o interesse pelas novelas. “Aprendi a representar ouvindo novela”, assegurou, relatando que o fato de homens acompanharem as radionovelas não era bem visto no período.

O interesse pelo cinema era tamanho que acabou prejudicando os estudos. Aos 11 anos, Ary faltava aulas para ver filmes com um amigo e acabou repetindo de ano no colégio. “Estava ficando mais inteligente”, garante. Nessa época, também pulava o muro para ver óperas sem pagar.

A estreia oficial no teatro veio aos 17 anos, em peça da escola na qual escrevia e atuava. Natural de Curitiba, ele veio para o Rio de Janeiro aos 31 anos, já consagrado em sua terra natal.


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