Diretor de "Tropa de Elite", brasileiro comanda nova versão de "Robocop"

Por Caio Cuccino Teixeira
No longa, Robocop surge com armaduras na cor prata, como no clássico de 1987, e preta | Divulgação No longa, Robocop surge
com armaduras na cor prata, como no clássico de 1987, e preta | Divulgação

Com produções de sucesso no currículo, como o premiado documentário “Ônibus 174” (2002) e os longas “Tropa de Elite” (2007) – que levou o Urso de Ouro em Berlim em 2008 – e “Tropa de Elite 2” (2010), o diretor brasileiro José Padilha, 46, teve seu nome projetado mundialmente e acabou cobiçado por Hollywood.

Coube a ele encarar a missão de conduzir o remake do clássico de 1987 do holandês Paul Verhoeven. ‘Robocop’, que estreia nesta sexta-feira, vem cercado de expectativa dos fãs do herói meio máquina, meio homem, desta vez interpretado pelo ator sueco Joel Kinnaman, 34. Nada, porém, intimida o diretor.

“Eu ignorei [a expectativa] porque não existe uma massa uniforme de fãs. Se eu fosse pensar nisso, estaria liquidado. Eu fui o mais fiel possível ao conceito básico do personagem, que, para mim, traz dentro dele a ideia filosófica de que quando você automatiza a violência, abre a porta para o fascismo”, comentou Padilha a jornalistas brasileiros.

O longa diviviu a opinião da crítica e não rendeu o lucro inicial esperado nos Estados Unidos. Orçada em US$ 130 milhões, a produção ficou em terceiro lugar nas bilheterias em seu fim de semana de estreia, atrás de “Uma Aventura Lego” e “About Last Night”. Em compensação, segundo Padilha, ‘Robocop’ está no topo em 15 países, como França, Alemanha e Austrália.

“Nos EUA, o longa remou contra os fãs, que não querem discutir fascismo, mas se a roupa do Robocop tem que ser preta ou prata. Coincidimos ainda com a maior nevasca da história e o Valentine’s Day”, cita o diretor.

No novo “Robocop”, Padilha optou por uma linha de menos violência e mais abordagem política e aprofundamento dos conflitos existenciais do herói.

Michael Keaton é o vilão do filme | Divulgação Michael Keaton é o vilão do filme | Divulgação

“Só porque o filme é violento ele é melhor? O Robocop pelo qual me interessei fala da política da automação da violência. Para essa questão, não preciso explodir um cérebro na frente da câmera. A premissa é de que os EUA tomaram uma posição quanto ao uso de robôs. Tentei falar um pouco de política externa, da mídia radical de direita americana. A gente foi fiel ao filme, mas às ideias, não às formas”, explica.

No Rio para o lançamento do longa, Michael Keaton, o vilão Raymond Sellars, diretor da OmniCorp, que cria o Robocop, diz que o filme é “emocionalmente surpreendente” e o compara a “Batman” [personagem que ele viveu em dois longas de Tim Burton].

“Como estou fisicamente exposto, a profundidade do filme é muito interessante. É socialmente, politicamente e filosoficamente muito profundo. Mas é entretenimento, apesar de tudo. E ‘Batman’ não está nesse nível.”

Assista o trailer do filme:


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