Cenas quentes de sexo gay marcam ‘Praia do Futuro’

Por Caio Cuccino Teixeira
Moura e Aïnouz na première do filme, nesta terça-feira, em Berlim | Andreas Rentz/Getty Images Moura e Aïnouz na première do filme, nesta terça-feira, em Berlim | Andreas Rentz/Getty Images

Talvez “Praia do Futuro” seja o ápice dos temas recorrentes no cinema de Karim Aïnouz, 47, único brasileiro na competição oficial do 64º Festival de Berlim. Um deles é a ambiguidade do desfecho de seus personagens, que tomam o risco de se aventurar.

“Adoro imaginar onde os personagens vão mergulhar, se perder, mas não dizer isso diretamente”, disse Aïnouz ontem a jornalistas após a estreia de seu novo filme.

Nele, o salva-vidas Donato (Wagner Moura) e o motociclista alemão Konrad (Clemens Schick) se conhecem após uma tragédia no mar da praia de Fortaleza que dá nome ao filme – e se apaixonam.

Os dois primeiros terços do longa são dedicados ao desenrolar desse amor, em um tipo de narrativa própria do cinema de Karim e de seus parceiros (como os diretores Marcelo Gomes e Sérgio Machado). Nela, as experiências são exploradas em suas texturas: corpo, pele, movimento, olhar e toque provocam sensações tanto nos personagens como em nós, expectadores.

No outro terço, o irmão caçula de Donato, Ayrton (Jesuíta Barbosa), vai a Berlim em seu encalço. E aí então o “mistério redentor” – como o diretor chama o destino de seus personagens – é explicitado.

Aïnouz é veterano em festivais: “Madame Satã” (2002), “O Céu de Suely” (2006), “Viajo porque Preciso, Volto porque te Amo” (2010) e “O Abismo Prateado” (2011) correram os três principais eventos de cinema do mundo (Cannes, Veneza e Berlim). Mas “Praia do Futuro” marca sua saída das mostras paralelas e entrada no time que disputa os grandes prêmios.

Como “Praia do Futuro” gira ao redor do amor de dois homens – e as cenas de sexo são quentes –, o tema foi inevitável na conferência com jornalistas. Moura foi direto: já passou da hora de isso “virar um assunto”. “Não quero dizer que não é um tema importante, mas [o romance entre dois homens] já deveria ser encarado com naturalidade, não ainda com estranhamento”, disse o ator.

Veja o trailer:


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