Candidato à Prefeitura de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr. defende "meritocracia em tudo’

Por: Metro Jornal - POA
l Itamar Aguiar/agência freelancer l Itamar Aguiar/agência freelancer

selo-eleicoes-2016 eleicaoO deputado federal Nelson Marchezan Jr. (PSDB) concorre à prefeitura pela segunda vez. Em 2008, fez apenas 2% dos votos. Agora, aparece com 12% das intenções de voto na pesquisa mais recente, divulgada na semana passada pelo Ibope. Marchezan é o quarto e último candidato na série de entrevistas do Metro Jornal com os principais postulantes ao cargo de prefeito. Foram ouvidos os candidatos que apareceram com mais de 5% das intenções de voto na pesquisa eleitoral divulgada em 15 de julho pelo Instituto Methodus, pela ordem em que se situaram (Luciana Genro, Raul Pont, Sebastião Melo e Nelson Marchezan Jr.). Confira a entrevista concedida aos jornalistas Maicon Bock e André Mags, na sede do Grupo Bandeirantes de Comunicação:

 

Por que o sr. quer ser prefeito de Porto Alegre?

Porque eu acho que a gente teve contribuições de um grupo político que durante 16 anos administrou Porto Alegre – de uma determinada forma, de uma determinada ideologia – e trouxe alguns avanços, algumas coisas positivas, acertou e errou. E depois Porto Alegre sofreu uma ligeira mudança. Veio outro grupo, constituindo agora 12 anos, com uma outra forma de administrar, que trouxe coisas positivas, avanços e algumas coisas que, para 12 anos atrás, fizeram uma diferença. E este ciclo também se esgotou, chegou ao fim, deu suas contribuições. Teve acertos e erros. Este grupo político, neste momento, não inspira mais os desafios que são apresentados hoje pela cidade de Porto Alegre. Talvez ele não inspire mais aquele otimismo, aquela esperança nas pessoas. E talvez com essa mesma forma, esse mesmo grupo, não se consiga fazer os avanços que são necessários neste momento. Acho que é o momento do que a gente acredita, pensa. Eu, de alguma forma, o PSDB, os outros partidos e movimentos que nos apoiaram – MBL, Vem pra Rua, enfim. Há mobilização da sociedade para uma candidatura sem estrutura de sindicatos, que não tenha comprometimento com partidos políticos de trocas, sem máquina pública municipal, estadual e federal.

 

O sr. falou sobre apoios. Caso o sr. chegue ao segundo turno, vai buscar apoio dos partidos que ficaram de fora. Como ficaria o loteamento de cargos que sempre existe?

Talvez essa seja uma das partes mais bonitas da minha campanha. Não tem um cargo em comissão negociado, não tem uma função gratificada conversada, não tem secretaria ou secretário ou uma pessoa que tenha sido alvo de diálogo. Todas as conversas foram de altíssimo nível. Todas as minhas conversas com os partidos políticos que estão me apoiando são publicáveis. Então, vou aceitar o apoio não só desses partidos, como de todos os outros, dos sindicatos. Vou conversar com todos os candidatos, com a Luciana, o Pont, o Melo, o Fortunati, o Fábio [Ostermann, do PSL]. Quero a ajuda de todos. O que interessa é o atendimento à dona Maria e ao seu João, e não de corporações como partidos políticos e sindicatos.

 

O sr. concorre pela segunda vez a este cargo. Naquela época, o sr. disse que a saúde era sua prioridade, tendo a informatização dos postos de saúde como carro-chefe. Hoje já temos algumas coisas que o sr. defendia. A saúde continua a prioridade número 1? 

Acho que temos duas prioridades número 1 hoje: segurança e saúde. As duas podem avançar muito com gestão. Porto Alegre ainda falha muito na gestão. Demos passos adiante, mas foram devagar. Oito anos é muito tempo, 12 anos é muito tempo. Em quatro anos é possível fazer muita coisa. Será que avançamos na informatizações e uma consulta com especialista ainda demora dois anos, dois anos e meio? É o avanço que não resolve. A tecnologia tem que ser aplicada no processo. A gente vai tentar pegar experiências em várias outras gestões municipais que comprovam que temos que ter a meta no resultado para o cidadão.

 

Dois anos e meio é muito tempo para quem tem um problema de saúde.

Muito tempo. Porto Alegre não conversa com órgãos de saúde pública, não oferece o teleatendimento, e é gratuito. Gravataí usa muito mais que nós. Porto Alegre não conversa com a Polícia Civil, a Brigada Militar. Foi feito investimento em 1,2 mil câmeras. Meus deus, qual é o olho humano que acompanha isso tudo? Não foi colocado um software inteligente para administrar isso. E essas câmeras não interagem com as polícias. Vão fazer o quê? Gravar um filme pra Hollywood?

 

Na pesquisa do Ibope divulgada na semana passada, o sr. aparece em terceiro lugar, com 12% das intenções de voto. O resultado o surpreendeu?

Nossa campanha mal começou, demoramos para fechar coligação e nos viabilizar. E sou uma pessoa que atua muito em Brasília, então esses 12% pra mim são gratificantes, demonstram que temos um espaço bom.

 

Governos do PSDB costumam se destacar pela gestão e ajuste fiscal. O sr. prevê corte de CCs e enxugamento da máquina pública, redução de secretarias?

Ter 37 secretarias é um número muito grande, então é evidente que temos de reorganizar e reduzir isso. Mil CCs também é um número alto, temos de diminuir. Mas o mais importante é administrar bem o dinheiro público.

 

O prefeito Fortunati admitiu recentemente a possibilidade de parcelar salários devido à crise financeira. O sr. acha que pode acontecer e como agiria?

Vemos que o governo federal foi quebrado por uma forma de administrar as finanças públicas e a economia. A gente vê que o governo estadual também pela forma de administrar as finanças públicas. Então, é não deixar que essa forma de administrar a coisa pública retorne ao poder. Isso demonstra que vai ser muito difícil administrar Porto Alegre no formato tradicional.

 

Em seu site, o sr. defende redução de impostos. No caso da prefeitura, isso seria possível neste momento de fragilidade da economia? 

Se for olhar bem, há critérios. Reduzir desde que traga algum benefício público. A diminuição de impostos para aumentar arrecadação.

 

Aqui em Porto Alegre também?

Sim, se for feito um estudo. Porto Alegre fez isso em alguns segmentos de tecnologia. Outro ponto é diminuir imposto se isso ajudar a gerar empregos. Mas não sozinho para se fazer uma troca partidária, para fazer favor.

 

Recentemente, o sr. chamou servidores públicos de “vagabundos” quando eles protestavam na Câmara dos Deputados [CCJ discutia a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição que estabelece limites para gastos públicos federais por 20 anos]. O que aconteceu?

Isso não é uma afirmação verdadeira. Na verdade, a palavra foi mal aplicada por mim e serviu para pessoas mal intencionadas utilizarem de forma maldosa, pejorativa. Um dos significados de “vagabundo” é “pessoa desocupada”. E eu poderia ter usado esse termo.

 

O sr. se arrepende de ter usado essa palavra?

Me arrependo da palavra, mas é que as pessoas que estavam lá chamando os deputados de vagabundos para outros adjetivos piores do que esse, atrapalhando os trabalhos, nos chamando de golpista, nos vaiando, impedindo a votação e que falássemos no horário em que estávamos trabalhando, e que eles também deveriam estar, essas pessoas eram desocupadas. Eles poderiam contribuir indo nos gabinetes, levando materiais técnicos. Mas eu não chamei os servidores públicos de vagabundos.

 

Como o sr. vai tratar protestos que trancam o trânsito na cidade?

É muito complicado fazer manifestações para atrapalhar deslocamentos em dias de atividade comercial, de segunda a sexta. Aqueles que querem se manifestar e registrar seu pensamento podem fazer sábado e domingo, em locais que não atrapalhem deslocamentos. Atrapalhar a vida normal da cidade como um todo tem como intenção política e de prejudicar alguém, e não manifestar ideias.

 

Como serão tratados os grevistas na prefeitura? O sr. também vai considerá-los desocupados?

Vou tratar com transparência, mostrar quais são as demandas dos grevistas, a situação da categoria, da prefeitura e da sociedade porto-alegrense e vou ter que tomar, junto com a equipe, a sociedade, vereadores, uma decisão.

 

O sr. considera a legislação trabalhista atual “retrógrada”, diz que não privilegia o trabalhador e que o foco deve ser quem gera emprego. O que o sr. defende nessa área?

Temos uma legislação de 1940 e é evidente que não se aplica às relações de trabalho atuais. Temos uma Justiça do Trabalho que custa de R$ 17 bilhões a R$ 18 bilhões por ano, e isso foi o que ela determinou em decisões favoráveis aos trabalhadores. É mais ou menos assim: eu fecho a Justiça do Trabalho e dou todas as decisões para os trabalhadores. Então, eu acabo com esse burocracia. Essa Justiça favorece o trabalhador? Não, ela é muito cara, custa muito ao cidadão brasileiro. Tem que ter formas mais baratas de ele ter acesso à Justiça.

 

O sr. é favorável a PPPs. Em que áreas prevê essas parcerias?

Sou favorável às parcerias públicas-públicas, como na segurança, do governo municipal com a Polícia Civil, com a BM, e nas público-privadas como, por exemplo, da estrutura de tecnologia das câmeras públicas com as privadas. Todas as parcerias nós faremos.

 

Em encontro com empresários, o sr. disse que poderia convocá-los para a continuidade da revitalização da orla. O que significa?

A prefeitura já reconheceu que estamos com dificuldades financeiras. Temos uma orla de mais de 70 quilômetros e onde é belo do ponto de vista da nossa intervenção? Onde tem algum ambiente agradável para ter lazer e diversão com segurança? A gente não tem isso. A orla pode ser muito mais prazerosa se tivermos a iniciativa privada, os movimentos, os investimentos e as ideias.

 

Qual sua posição sobre o projeto do Cais Mauá, que é aguardado por alguns e criticados por outros pelo modelo de negócio que prevê shopping e altas torres comerciais?

Porto Alegre tem demorado muito em apresentar suas soluções. O Cais é algo que ainda não pertence à cidade. Os porto-alegrenses ainda não desfrutam dele quanto deveriam. Então, temos que avançar. Acho que todas as alterativas que temos são discutíveis. Agora, tem que executar. Não podemos continuar com um Centro cada vez se degradando mais.

Mas o sr. é favorável ao projeto nos moldes atuais?

Não tenho conhecimento profundo dos detalhes técnicos do projeto. Só acredito que um projeto que demore tanto assim, ou ele não é tão bom ou é falta de vontade de executá-lo. Porque se ele é bom, deveria ter sido aplicado. Aliás, os projetos demoram muito aqui. Às vezes parece que eles são ruins ou têm interesses escusos que não podem ser publicizados, ou falta vontade política ou nossas estruturas são muito arcaicas.

 

O sr. já declarou apoio aplicativos de transporte, como o Uber, por acreditar que ajudam a melhorar o serviço dos táxis. De que forma?

Primeiro, o Uber vai ter que melhorar muito porque eu vou fazer do táxi de Porto Alegre o melhor do Brasil. Hoje é uma coisa de louco: a estrutura pública municipal de Porto Alegre disse não ao Uber num primeiro momento, em vez de estimular os taxistas, melhorar o serviço e garantir que as pessoas se desloquem com segurança nos táxis. Preferiram dizer não ao novo. Isso não é do interesse público. Todos podem conviver.

 

Como melhorar?

Fiscalizar. Porque hoje o taxista honesto, correto e trabalhador paga pela má imagem do taxista que é traficante ou que transporta traficante ou é um estuprador.

 

O sr. já andou de Uber? 

Poucas vezes, mas sempre que o aplicativo de chamar o táxi não funciona eu chamo o Uber. Em Porto Alegre usei uma vez e em Brasília, umas três.

 

O sr. já andou de ônibus em Porto Alegre recentemente? Qual a sua avaliação?

Quando eu morava aqui pegava o Menino Deus, o Icaraí e o T1. Recentemente, não. Tenho que andar de novo para entender um pouco mais. O que me parece é que tivemos uma licitação em que as mesmas empresas ganharam, mas não tivemos avanços.

 

O sr. defende a meritocracia na educação pública… 

Eu defendo a meritocracia em tudo o que ela pode ser aplicada.

 

Na educação, como seria? 

Na educação teremos que chegar bem mais perto dos professores municipais para entender o que está acontecendo, e uma forma é diminuir o prazo de aplicação de testes. Os alunos teriam que passar por um processo de monitoramento de aprendizagem em prazos muito menores. Porque hoje, os alunos das nossas escolas municipais estão aprendendo menos do que os das mesmas séries das escolas públicas estaduais e privadas. E temos aqui uma baixíssima cobertura. De todas as capitais do Brasil, só Rio Branco, no Acre, atende um percentual menor da necessidade de alunos do ensino fundamental do que Porto Alegre. Então, atendendo pouco e tendo uma remuneração que, comparativamente, não está entre as mais baixas – a média salarial do professor estadual é R$ 4 mil e do municipal R$ 6 mil –, temos um índice de aprendizagem menor em matemática e português. Como isso não traz resultado, não mostra resposta ao longo do tempo, talvez, como em várias áreas, nós estejamos priorizando sindicatos, partidos e esquecendo do beneficiário do ensino, que é o aluno. E botar um aluno numa sala de aula em que ele não aprende ou aprende pouco é um crime contra o ser humano.

 

O sr. prevê metas para os professores?

Eu acho que nós temos que nos aproximar e entender o que está acontecendo. E, repito, uma das formas é se aproximar do professor, conversar, mostrar dados estatísticos, fazer exames com regularidade menor. Porque chegar no final do semestre e perceber que o aluno não está aprendendo, perde-se o semestre. Nessa idade, um dia faz uma grande diferença.

 

Que nota o sr. daria a atual administração?

Acho que teria muitas áreas com notas elevadas e muitas com notas baixas. Acho que, o que é notório, que passamos por um ciclo de 16 anos de um determinado tipo de visão e depois outro ciclo de 12 anos que deu sua contribuição. Então, seria uma nota de agradecimento por esses 12 anos e de encerramento e de início de uma nova etapa. 

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