Candidato à prefeitura, Melo quer melhorar segurança de Porto Alegre

Por: Metro Jornal Porto Alegre

Captura de Tela 2016-08-22 às 18.56.58selo-eleicoes-2016 eleicaoAtual vice-prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (PMDB) concorre à prefeitura por uma coligação de 14 partidos, a maior entre todos os concorrentes, e conta com quase 40% do tempo de propaganda política em rádio e TV. Melo é o terceiro na série de entrevistas do Metro Jornal com os principais candidatos a prefeito. Estão sendo ouvidos os quatro candidatos que apareceram com mais de 5% das intenções de voto na pesquisa eleitoral mais recente, divulgada em 15 de julho pelo Instituto Methodus, pela ordem em que se situaram (Luciana Genro, Raul Pont, Sebastião Melo e Nelson Marchezan Jr.). Confira a entrevista concedida aos jornalistas Maicon Bock e André Mags, na sede do Grupo Bandeirantes de Comunicação:

Por que o sr. quer ser prefeito de Porto Alegre?

Para devolver todas as oportunidades que essa cidade me deu ao longo de 38 anos. Me deu muitas chaves de acolhimento, de emprego, militância política. Me fez vereador, e quero ser prefeito para continuar produzindo mais mudanças em um projeto que, na nossa avaliação, vem fazendo muitas transformações na cidade em todas as áreas. Darei prioridade à melhoria dos serviços da cidade, se o povo me escolher.

Há quatro anos, em entrevista ao Metro Jornal, o sr. disse que uma de suas metas como vice-prefeito seria melhorar a qualidade dos serviços à população. O que foi feito em quatro anos?

Nós dobramos os contêineres da cidade. Temos caminhões de lixo que passam duas e até três vezes por semana nas ruas. Reduzimos os focos de lixo de 500 para 300, o que ainda é muito. Fizemos duas usinas novas de asfalto, e agora virão os laboratórios, que vão permitir um tapa-buracos mais ágil. E assinamos um termo com a Procempa, envolvendo a PUCRS, e estamos com vários avanços. Entre eles, já temos georreferenciados todos os 80 mil postes de luz. A tecnologia chega também, agora, nas licitações do DEP. Quem ganhar a licitação dos bueiros vai ter que comprovar que estão entupidos e depois que foram desentupidos. Isso vale também para as podas de árvores. Temos que melhorar a gestão, botar tecnologia e ter a participação da população, botar, em uma praça que foi arrumada, um prefeito da praça, que passe a cuidar dela.

Se eleito, qual será o seu primeiro projeto encaminhado para a Câmara?

Não pensei nisso. São tantas atitudes que um prefeito precisa ter que muitas delas não precisam de leis novas. Fui autor de poucas leis como vereador, raras leis. Mas uma delas é o chamado Plano de Metas, que várias cidades brasileiras têm. Isso está na Lei Orgânica. O futuro prefeito tem três meses para dizer quais as metas que desenvolverá, e com indicadores. E ele vai ter que prestar contas, anualmente, junto ao Legislativo, Orçamento Participativo etc., e criar um site de fácil acesso, dizendo o que vai fazer nas creches, na educação, na sustentabilidade, na infraestrutura, assistência social, dizendo os recursos e as metas. Isso é muito importante para fortalecer e dar responsabilidade à democracia. Porque se presenciou no Brasil, muitas vezes, as pessoas falarem uma coisa na eleição e fazerem outra coisa depois.

Uma das principais críticas à atual gestão é sobre as obras inacabadas da Copa. Como o sr. vai explicar isso?

Primeiro, reconheço que há atrasos. E os motivos são vários, desde os projetos, Ministério Público, Tribunal de Contas, atrasos nos repasses da Caixa Federal. Agora, eu diria que essas obras não são da Copa. São obras da cidade. Os prefeitos visionários Fogaça e Fortunati aproveitaram uma oportunidade de um evento mundial de buscar recursos na casa de R$ 1 bilhão para fazer obras que estavam atrasadas há 40 ou 50 anos. Então, vou pedir a compreensão da população pelo atraso. Muitas dessas obras foram entregues e outras serão entregues. Todas são extremamente necessárias para melhorar a vida social, urbana da cidade. Fazer obra em uma cidade viva não é uma coisa fácil. Não se recomenda fazer tantas obras ao mesmo tempo. Mas quando ficam prontas, as pessoas compreendem a sua importância.

Teria como fazer mais obras nos próximos quatro anos? O prefeito Fortunati prometeu começar a duplicação da Edgar Pires de Castro e a Vicente Monteggia.

Primeiro, se for prefeito, vou concluir todas as obras que estão aí, o mais rápido possível. Segundo, qualquer governo precisa ter um banco de projetos para buscar empréstimos porque os municípios brasileiros não têm recursos para obras médias e grandes. O projeto executivo da Edgar custa R$ 100 milhões e está pronto há quase um ano. Nós não conseguimos empréstimo. A Vicente Monteggia é uma obra com um atraso, eu diria, no mínimo vintenário. Custa R$ 150 milhões, e o projeto está pronto, com exceção da trincheira da Cavalhada com a Campos Velho. Tem que buscar empréstimo, também. Outra obra que temos que enfrentar é o acesso norte do Porto Seco. Hoje, os caminhões estão levando uma hora para sair do Porto Seco e chegar à freeway. Temos que achar uma solução junto com o Sambódromo, onde vejo que o caminho é uma parceria público-privada. Agora assinamos o empréstimo com a CAF (Corporação Andina de Fomento), de US$ 92 milhões, e envolve as obras na Usina do Gasômetro, orla, quadrilátero central da Rua da Praia. O viaduto Otávio Rocha também tem um projeto, que não é barato. Agora, vejo muita dificuldade, pela economia que passa o Brasil, de conseguir dinheiro para grandes obras.

O sr. falou em parceria público-privada. Onde mais poderia ter esse regime?

Um governo tem que estar aberto a todas as parcerias que beneficiem a cidade. Eu diria que serei um prefeito de muita parceria, tudo que for possível fazer.

A sua coligação tem 14 partidos dos mais diversos posicionamentos políticos. Como impedir que políticos sem conhecimento em determinada área assumam secretarias? Já tivemos um médico na Smic, um graduado em Gestão Ambiental na Secretaria da Segurança e um economista na Smov.

Todos os partidos assinaram a carta-compromisso, que diz: “Trabalhamos para a construção de um novo paradigma de relacionamento entre os partidos e o governo, que prioriza a gestão pública, e não as conveniências partidárias”. Eu vou diminuir o governo. Acho que tem secretarias sombreadas umas com as outras, hoje. Vou diminuir o número de CCs, também.

Quantas secretarias e CCs podem ser cortados?

Eu não gostaria de entrar nesse detalhe. Posso dizer que vamos enxugar o governo. Também não gostaria de tratar do corte de CCs. Com certeza os problemas do governo são tantos que os CCs, bem administrados, não são a questão fulcral. Não são o maior custo da máquina pública. Têm que ser eficientes no conjunto da máquina. Por exemplo, não pode acabar com uma secretaria e manter os CCs. Aí seria para inglês ver. Mas podem ter certeza: haverá diminuição.

No governo Fortunati, que já é composto por um bom número de partidos, chegou-se ao ponto de a ouvidoria dos servidores ser conduzida por uma pessoa filiada a partido político, o que causa um embaraço ao servidor. O sr. vai indicar esse cargo para algum partido no seu governo?

Será um funcionário do quadro. A ouvidoria não deve ser comandada por alguém com vínculo partidário.

Há um sentimento geral dos porto-alegrenses de que a cidade está feia, com muitos sinais de vandalismo e pichação. O que será feito para embelezar a cidade?

Quando falo da melhoria dos serviços, é disso que estou falando. Vou fazer pacto de governança em todos os cantos dessa cidade. Vou incentivar que mais pessoas adotem praças, canteiros. Quero dialogar sobre as calçadas. Hoje, são responsabilidade dos proprietários dos prédios, e não temos tido bons exemplos disso. Temos que encontrar uma solução, quem sabe um projeto-piloto em que pudesse ter um padrão de calçada, ver se a população aprova isso. Porque hoje vem um, faz um pedaço de calçada, vem outro, faz outro pedaço de outra maneira. As pichações e as depredações de monumentos são um problema sério dessa cidade. Tem que ter mais câmeras instaladas nos parques, nas praças, nas ruas. E tem que ter punições exemplares.

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E a situação do Centro?

Vivemos tempos difíceis no Centro. O desemprego é uma das razões. Vemos isso nos haitianos, nos senegaleses tentando vender suas coisas. Pretendo atacar lá no depósito, porque ele é abastecido por alguém poderoso, que não chega lá no dia a dia. Uma cidade precisa ter emprego. Vou ser um prefeito “desburrocratizador”. Vamos unificar os licenciamentos da cidade. Empreendedor tem que ser aplaudido nessa cidade. As licenças têm que ter um tempo razoável para sair.

O metrô é um sonho cada vez mais distante. O sr. ainda acredita nesse projeto?

O que temos na agenda para um próximo governo é a implantação dos BRTs. Esse investimento está garantido pela Caixa Federal e é fundamental. Também não chegarei ao final do mandato sem integrar os sistemas de transporte da Grande Porto Alegre, com bilhete único e podendo pegar passageiros em Porto Alegre. Porque se há ônibus chegando ao Centro com sete passageiros somente é porque tem algo errado. Mas o sonho do metrô não vai terminar nunca. Vamos perquirir. A modelagem está pronta, porém, o Brasil, nos próximos anos, não tem dinheiro público para metrô. Talvez o caminho possível seja a parceria público-privada.

Como o senhor vê a chegada dos aplicativos de transporte, como o Uber? O senhor já andou de Uber?

Sou defensor de todos os aplicativos na cidade. Taxistas e aplicativos têm que conviver. Sou favorável a isso, mas regulamentado. Porque se eu desarranjar o sistema, quem vai pagar a conta é o cidadão comum. Ainda não andei de Uber, mas no dia que regulamentar, vou andar.

O prefeito Fortunati disse que é possível parcelar os salários do funcionalismo por causa da crise financeira. Como o sr. imagina a sua gestão nesse cenário?

O Fortunati e eu temos cortado, nesses quase quatro anos, muitos recursos de onde nós nem poderíamos cortar. Porque a crise atingiu a todos. Cortamos várias áreas de serviços, por exemplo. Hoje, poderíamos ter melhores serviços. Na Smov cortamos muito. Na Smam, no DEP. Mas não estamos trabalhando com essa lógica de atrasar salários.

O mês da eleição vai coincidir com o fim do prazo para a extinção do trânsito de carroças em Porto Alegre, uma lei sua. É visível a redução desses veículos nas ruas, mas ex-carroceiros ainda não conseguiram uma nova atividade. Qual é momento atual do projeto?

Tem dois programas sociais que eu destacaria no governo. Um veio do Fogaça, o Ação Rua, que foi acolher as crianças que estavam nas sinaleiras. E outro é o Todos Somos Porto Alegre, que acolheu carrinheiros e carroceiros, dando portas de oportunidades. Muitos não queriam nem ser cadastrados, tivemos que fazer uma busca ativa, convencê-los de que era importante. E acabamos com alguns mitos. Diziam que a capital tinha 8 mil carroças, mas se chegou a umas 2,5 mil. Tinha gente que podia se aposentar, mas não tinha documentos. Vários se aposentaram. Esse projeto é muito bem-sucedido.

É notório que o número de moradores de rua aumentou nesses quatro anos. O que o sr. fará, se for eleito?

Vamos qualificar e ampliar essa rede. O modelo será o mesmo do Ação Rua, só que a clientela é mais difícil: uma coisa é acolher criança, outra é o morador que está há dez, 15 anos na rua. Sou um democrata, o direito de ir e vir sim, já o direito de ficar em uma praça, não. Teremos uma política um pouco mais preventiva, de não permitir que as pessoas se instalem em estações de ônibus, nas praças, no talude. Vamos dizer: “Aqui o senhor não vai ficar”. Convenceremos a pessoa de que tem que entrar na rede, que terá tratamento, comida quente, abrigo.

Ativistas e moradores engajados dizem que o governo Fortunati ficará marcado negativamente por não ter dialogado com a população em casos como o projeto da orla, o Cais Mauá, o Pontal do Estaleiro e o corte das árvores para duplicação da João Goulart. O sr. pretende ouvir mais a população?

O nosso governo é de muito diálogo, mas respeito quem pensa diferente. Sou um sujeito de muito diálogo, mas isso muitas vezes não significa concordar. Um governo precisa ter paciência para ouvir, mas também precisa decidir.

Houve muitas greves na prefeitura. Como o sr. vai tratar isso no seu governo?

Espero que reine sempre o bom senso e que, em possíveis greves, funcionem os serviços essenciais da cidade. Agora, não trabalhou, vou descontar.

E a segurança da cidade?

Vou cuidar pessoalmente da segurança. Vou criar um fundo municipal de segurança pública e não vamos permitir que nenhuma tecnologia mais seja adquirida sem um comitê gestor que envolva município, Estado, União, para que essas tecnologias interajam com todos os órgãos. Com o fundo, pretendo qualificar a Guarda Municipal, pagando hora extra ou contratando mais guardas, e, talvez, legalizar o bico do brigadiano. O brigadiano, hoje, para aumentar o seu salário, trabalha para empresas privadas.

A prefeitura pagaria?

Pagaria dentro desse fundo de segurança. São Paulo e Rio de Janeiro têm isso. A gente pagaria no turno em que ele não está trabalhando.

O PM trabalharia fardado?

Sim, é o mesmo brigadiano, a mesma arma, trabalhando em pontos específicos.

A primeira indicação para vice na sua chapa foi de Mauro Zacher. Mesmo com uma ação judicial contra ele, o que poderia municiar adversários contra a coligação, a candidatura de Zacher só foi derrubada com a intervenção do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, que indicou Juliana Brizola. Por que houve tanta dificuldade em trocar o vice?

Tínhamos a possibilidade de quatro candidatos a vice: PPS, PSB, PSD e PROS. Aí, expliquei da importância do PDT nesse processo, e que o PDT reivindicava, em não tendo candidato, aliança proporcional – o que foi um problema para nós porque tivemos que tirar 50 candidatos do PMDB a vereador – e o vice. Sempre deixei muito claro ao PDT que essa era uma decisão do PDT. A decisão de botar o Mauro Zacher foi do PDT e a de tirar, também.

Foi mais uma questão entre o PDT nacional e o regional?

Não me compete discutir isso. Me deixa fora disso [risos].

Que nota o sr. daria para a administração Fortunati?

Eu não posso fazer isso. Sou vice-prefeito. Quem tem que dar nota para o prefeito é a sociedade.

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