Governo já espera aumento de arrecadação menor que 1%

Por fabiosaraiva

O governo federal arrecadou R$ 90,722 bilhões em impostos e contribuições no mês passado, recorde para setembro, com uma alta real de 0,92% sobre um ano antes. Em meio ao cenário de atividade econômica fraca, o resultado foi influenciado por receitas extraordinárias.

No acumulado do ano, a arrecadação federal somou R$ 862,510 bilhões, alta real de 0,67% sobre igual período do ano passado.

Diante desse cenário, a Receita indicou nova redução em sua estimativa de crescimento da arrecadação para este ano, para menos de 1% se o cenário econômico atual for mantido. Até então, a estimativa era de expansão real de 1% neste ano, a menor variação desde 2009, quando havia ficado em 0,11% e inferior ao crescimento de 4,08% vista em 2013.

Segundo a Receita, em setembro, a arrecadação foi influenciada pela receita extra de R$ 1,637 bilhão com o Refis, programa de parcelamento de débitos atrasados. Também pesaram os R$ 8,399 bilhões em desonerações fiscais, oriundas das diversas medidas adotadas pelo governo para tentar estimular a economia.

“Os indicadores macroeconômicos de setembro tiveram comportamento pior do que em setembro de 2013. Claro que isso sempre justifica em parte o comportamento da arrecadação”, disse o secretário-adjunto da Receita, Luiz Fernando Teixeira.

A baixa arrecadação, juntamente com a expansão dos gastos públicos, já acabou com as chances de a meta de superavit primário deste ano – de R$ 99 bilhões, ou 1,9% do PIB – ser cumprida, reforçando o quadro de deterioração dos indicadores da economia brasileira. Em 12 meses encerrados em agosto, a economia do setor público para o pagamento dos juros da dívida pública foi de apenas 0,94% do PIB.

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