Setor automotivo pede medidas do governo para voltar a crescer

Por Tercio Braga

Aguardada hoje para inaugurar o Salão do Automóvel de São Paulo de 2014, a presidente Dilma Rousseff, pode se preparar para ouvir pedidos de executivos do setor de medidas para estimular a economia, depois de um ano fraco para produção e vendas de veículos. “A principal missão do novo governo será restaurar a unidade do país, controlar a inflação, ser transparente e estimular o crescimento”, disse ao Metro Jornal, Cledorvino Belini, presidente da Fiat-Chrysler.

O certo é que sinais – e urgentes – serão necessários para destravar o mercado automotivo. Segundo as montadoras, seus pátios estão abarrotados e há 45% de capacidade ociosa. Isso em tempos de restrição ao crédito e de inflação na parte de cima da meta do governo.

A expectativa é que o governo confirme que será mantida a redução do IPI para o setor, mas o ideal seria medidas que reduzissem o custo de produzir no Brasil.

 

Reivindicações do setor
Em um ano de 2014 no qual produção e vendas marcaram passo, os homens que comandam o setor automotivo esperam que a presidente Dilma Rousseff tome medidas que façam a economia crescer. Durante o Salão do Automóvel de São Paulo, o Metro Jornal ouviu alguns dos principais executivos do setor. Confira o que eles falaram:

Cledorvino Belini, presidente da Fiat-Chrysler no Brasil | Divulgação Cledorvino Belini, presidente da Fiat-Chrysler no Brasil | Divulgação

“A principal missão do novo governo brasileiro será restaurar a unidade do país e buscar sucesso no controle da inflação, na redução dos juros e no estímulo ao crescimento econômico. A presidente terá de apostar na transparência e buscar reconquistar a credibilidade dos agentes econômicos”, Cledorvino Belini, presidente da Fiat-Chrysler no Brasil.

“Nos próximos anos, o governo deveria retomar os investimentos para melhorar a infraestrutura do país e fazer ajustes na economia para controlar o crescimento inflação, os juros altos e gastos públicos excessivos. O Brasil tem um potencial fantástico de crescimento, mas não pode deixar de resolver cada um destes problemas.”, afirmou Issao Mizoguchi, presidente da Honda na América do Sul.

“No curto prazo, cada montadora terá de fazer ajustes de produção e financiamento. Mas, para ter um crescimento sustentável, teremos de nos adequar para sermos mais competitivos, a médio prazo. O próximo governo será fundamental para fazer as medidas que estimulem o crescimento da economia”, disse Olivier Murguet, presidente da Renault.

Thomas Schmall, presidente da Volkswagen do Brasil | Divulgação Thomas Schmall, presidente da Volkswagen do Brasil | Divulgação

“O próximo governo pode tomar medidas de estímulos isoladas, como a de manter a redução do IPI para os carros. Mas, para o mercado crescer precisamos de outras medidas que deram certo em outros países, como programas de incentivo para a renovação da frota de veículos. Ajudaria nas vendas e tornaria as ruas e estradas brasileiras mais seguras”, comentou Thomas Schmall, presidente da Volkswagen.

“O Brasil precisa ter lideranças abram este país para o mundo e resolvam seus gargalos. E eles são muitos: custo de produção alto, logística ruim. Há boas oportunidades para exportar automóveis, mas antes o país precisa tornar-se competitivo”, pondera Miguel Figari, diretor-geral da Peugeot.

“No Brasil ainda custa caro produzir veículos. Aqui, a matéria-prima é cara, a eletricidade é cara, os impostos são caros e a infra-estrutura e a logística do país têm problemas. A equipe econômica do próximo governo Dilma Rousseff tem uma boa lição de casa para fazer”, afirmou Koji Konda, presidente da Toyota.

Rogélio Golfarb, vice-presidente da Ford Rogélio Golfarb, vice-presidente da Ford

“Hoje, o setor automotivo brasileiro está com excesso de produção, com 45% de capacidade ociosa e estoques altos nos pátios das montadoras. Para mudar, o Brasil tem de reduzir os seus custos de produção e se tornar mais competitivo para exportar mais. Estamos esperando as medidas da nova equipe econômica. Se o desconto no IPI for renovado, pelo menos, não se criará um obstáculo adicional”,  disse Rogélio Golfarb, vice-presidente da Ford do Brasil.

“O Brasil precisa voltar a ter a confiança dos investidores. Para isso, precisa liberar os preços administrados, ajustar as contas públicas e a inflação. Com isso e também regras claras a economia do país crescerá. Potencial este país tem. Não adianta olhar para trás”, pede Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz.

“O Brasil precisa melhorar a qualidade do que produz. E não há como chegar lá sem investir para valer em educação”, disse José Luís Gandini, presidente da Kia Motors do Brasil.

“Uma coisa é fazer campanha eleitoral, outra governar. A presidente precisa nomear – e o quanto antes – uma equipe econômica que dê confiança ao mercado e aos investidores. Não há nada que atrapalhe mais do que falta de confiança”, afirmou Sérgio Habib, presidente da JAC Motors.

Jaime Ardila, presidente da GM na América do Sul Jaime Ardila, presidente da GM na América do Sul

“O IPI como está hoje faz parte da indústria.  Os consumidores já se acostumaram com ele. Mantê-lo não é a única medida que o próximo governo poderá tomar para estimular o crescimento do setor automotivo. Ele deveria combater a queda na oferta do crédito, combater a inflação, perseguir a meta de reduzir juros e apostar na competitividade da indústria para que o Brasil se torne um país exportador”, disse Jaime Ardila, presidente da GM na América do Sul.

“Há problemas para que o próximo governo precisa resolver logo: dificuldades para obter crédito e altos custos de produção. O novo governo não pode passar insegurança na execução de sua política econômica”, comentou Luís Curi, vice-presidente da Chery.

“O novo governo precisa tomar medidas para que a economia brasileira cresça, controle a inflação e estimule investimentos e emprego. Fazer a reforma fiscal e reduzir custos de produção também deveria ser uma prioridade para o país”, Artur Piñeiro, presidente da BMW.

Confira os números de 2014
Janeiro – 237,3 produção – 312,6 vendas – 22,6 exportação
Fevereiro – 281,6 produção – 259,3 vendas – 28,6 exportação
Março – 272,8 produção – 240,8 vendas – 23,4 exportação
Abril – 277,1 produção – 293,2 vendas – 35,2 exportação
Maio – 281,4 produção – 293,4 vendas – 35,0 exportação
Junho – 215,9 produção – 263,6 vendas – 24,4 exportação
Julho – 252,7 produção – 294,8 vendas – 34,3 exportação
Agosto – 264,6 produção – 272,5 vendas – 31,7 exportação
Setembro – 300,8 produção – 296,3 vendas – 26,7 exportação

Conteúdo Patrocinado
Loading...
Revisa el siguiente artículo