Crescimento da indústria aponta que economia não está parada, diz ministro

Por Tercio Braga
Mantega citou o desempenho das 271 maiores empresas do país, com capital aberto, que tiveram aumento na receita líquida de 11,9% entre junho e julho | Antonio Cruz/Agência Brasil Mantega citou o desempenho das 271 maiores empresas do país, com capital aberto, que tiveram aumento na receita líquida de 11,9% em agosto | Antonio Cruz/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta terça-feira (2) que “a economia cresce, neste segundo semestre, e sem recessão”. Ele fez as declarações ao comentar Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado mostra que a produção industrial brasileira cresceu 0,7% de junho a julho, sendo a primeira alta depois de cinco meses de queda.

“A economia não está parada. Não está em recessão. Teve problemas passageiros no primeiro semestre, mas neste segundo semestre vamos em direção a uma gradual melhoria. A produção industrial veio bem, mostrando que no segundo semestre nós temos um crescimento da atividade econômica”, disse. Mantega lembrou que o maior crescimento foi registrado em bens duráveis e também bens de capital (máquinas e equipamentos utilizados na produção). “[resultado] Importante porque indica que neste terceiro trimestre teremos um crescimento positivo ao lado de outros indicadores”, acrescentou.

O ministro citou ainda outro indicador, o Índice de Gerentes de Compra setor industrial brasileiro (PMI, na sigla em ingês), divulgado, segundo ele, pelo Banco HSBC, que mede o “apetite dos gestores para comprar”. O índice, divulgado nesta segunda (1º), chegou a 50,2 pontos em agosto, ante os 49,1 pontos em julho. Ele avalia o resultado como positivo, pois representa a intenção de aumentar as atividades.

Além desse índice, o ministro citou o desempenho das 271 maiores empresas do país, com capital aberto, que tiveram aumento na receita líquida de 11,9% na mesma comparação.

Sobre a correção da tabela do Imposto de Renda (IR), que caducou no Congresso Nacional, Mantega disse que o governo busca uma alternativa para enviar ao Parlamento de forma a permitir que a proposta seja mantida para o contribuinte. A medida provisória que reajusta a tabela do IR não foi votada pelos parlamentares e perdeu validade.

O ministro voltou a sinalizar que pode ocorrer um aumento da gasolina este ano. “Todo ano tem aumento da gasolina. Este ano não será diferente. No ano passado, nós tivemos dois aumentos da gasolina. Não é uma regra fixa, mas todo ano nós podemos ter um ou dois aumento da gasolina”, disse, ao ser perguntado por jornalistas.

Produção industrial cresce 0,7% em julho

A produção industrial brasileira cresceu 0,7% na passagem de junho para julho. É a primeira alta depois de cinco meses de queda, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados hoje (2).

Na comparação de julho deste ano com julho do ano passado, no entanto, a produção industrial teve queda de 3,6%. Recuos também foram registrados nos acumulados do ano (-2,8%) e dos últimos 12 meses (-1,2%).

O avanço de junho para julho foi motivado por altas nos bens de consumo duráveis (20,3%) – máquinas e equipamentos usados no setor produtivo (16,7%) – e bens de consumo semi e não duráveis (0,7%).

Vinte dos 24 setores da indústria pesquisados tiveram crescimento na produção. Os principais impactos positivos vieram dos equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (44,1%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (8,5%).

O segmento equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos teve a maior alta da série histórica, iniciada em 2002, e interrompeu uma trajetória de quatro meses de quedas (que acumulou perda de 38,1%). Já os veículos automotores superaram queda de 18,1%, acumulada nos meses de maio e junho.

Outros setores que tiveram contribuição importante para o crescimento da produção industrial foram outros equipamentos de transporte (31,3%), máquinas e equipamentos (7%), máquinas e materiais elétricos (13,1%), outros produtos químicos (2,4%), além de vestuário e acessórios (8,6%).

Por outro lado, uma queda de 6,3% no segmento de produtos alimentícios impediu que a indústria tivesse um desempenho melhor. Outro setor que contribuiu negativamente foi o de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis (-2,6%).

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