Taxa de juros para empréstimo sobe em agosto, aponta Procon

Por fabiosaraiva

As taxas de juros cobradas de bancos seguiram em alta neste mês. Segundo levantamento feito pelo Procon-SP em 4 de agosto, a taxa média mensal para o crédito pessoal subiu de 5,61% para 5,79%, e para cheque especial, de 9,17% para 9,34%.

Os dados foram coletados nas sete das principais instituições financeiras do país: Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú, Safra e Santander.

No empréstimo pessoal, o HSBC apresentou a maior variação, elevando sua taxa de 5,89% para 6,39% ao mês, um acréscimo de 8,49% em relação aos juros do mês anterior. Banco do Brasil, Caixa e Santander também contribuíram para o aumento.

No cheque especial, o Banco do Brasil foi a instituição com o maior reajuste, de 7,95% para 8,95% ao mês. HSBC e Santander também tiveram aumento e os demais bancos mantiveram os juros.

Os juros bancários continuam em alta mesmo com a manutenção da taxa básica juros, a Selic, em 11% ao ano, desde abril deste ano. Para especialistas, com as elevações, as instituições estão compensado o risco de aumento da inadimplência.

No primeiro semestre deste ano, a pesquisa do Procon mostra que houve um crescimento progressivo das taxas de juros para ambas as linhas de crédito. Desde janeiro, os juros do cheque especial subiram de 8,33% para 9,17% e a taxa de empréstimo pessoal subiu 0,21 pontos percentuais e fechou em 5,61%. O Santander liderou como o banco com as maiores taxas de juros tanto para empréstimo pessoal como para cheque especial.

O Procon aconselha os consumidores a evitarem essas linhas de crédito. “As taxas do cheque especial, por exemplo, são muito elevadas. Pode parecer pouco, mas a base de juros já está muito alta, o que torna o empréstimo cada vez mais oneroso para o consumidor’, diz a assessora técnica da Diretoria de Estudos e Pesquisas, Cristina Rafael Martinussi.

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Com crédito cada vez mais caro, cresce o risco de calote

A taxa de inadimplência deve aumentar dos atuais 6,5% para 6,8% ao final do ano, segundo projeções da CNC (Confederação Nacional do Comércio). Estudo feito pela entidade mostra que a renda do trabalhador formal já cresce no mesmo ritmo das taxas cobradas de operações de crédito. Nesse cenário, se os empréstimos ficarem mais caros, pode faltar dinheiro para o brasileiro pagar a prestação.

Segundo Fábio Bentes, economista da CNC, considerando dados do Banco Central de junho deste ano, o consumidor paga uma prestação de R$ 39,87 para um financiamento de R$ 1000. Descontada a inflação, o valor representa uma alta de 3,5% em um ano. No mesmo período, a massa salarial do empregado com carteira de trabalho cresceu 3,6%, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). “A capacidade de pagamento pode ficar comprometida se as prestação continuar subindo e o mercado de trabalho não melhorar”, afirma Bentes.

As taxas de juros cobradas de consumidor já atingiram 43% ao ano, o maior patamar desde abril de 2009, segundo dados do BC. Além disso, ressalta o economista, o prazo médio de financiamento também vem caindo, passou de 48 meses em dezembro para os atuais 47,7 meses, o que elva o valor  da parcela.

A CNC reduziu ontem a previsão para o crescimento do comércio em 2014, de 4,4% para 4%. Para o setor de bens duráveis, sensível à oferta de crédito, a projeção é de alta de 7,2%. “Há três anos, esse setor crescia a dois dígitos”, diz.

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