Brasil cresceu menos do que emergentes entre 2003 e 2012

Por lyafichmann
Para autores, inflação do período é um produto doméstico | Divulgação Para autores, inflação do período é um produto doméstico | Divulgação

Estudo publicado pela PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio de Janeiro aponta que o Brasil cresceu nos dez anos entre 2003 e 2012 menos do que outros países emergentes e menos do que, de acordo com a análise dos especialistas, poderia ter crescido.

“O Brasil avançou, mas poderia ter avançado muito mais. Neste sentido, a década foi perdida”, escrevem os economistas Vinicius Carrasco, João M. P. de Mello e Isabela Duarte.

O trabalho, “A década perdida: 2003-2012”, aponta que houve melhora nos indicadores sociais e econômicos do país. Na maioria dos casos, entretanto, o progresso obtido por países comparáveis ao Brasil foi maior.

Grupos de países

Os autores são professores da PUC-Rio (faculdade de onde saiu a equipe que elaborou o Plano Real e conduziu a política econômica no governo FHC) e do Insper.

Eles examinaram a evolução de dados como renda por habitante, produtividade, comércio exterior, infraestrutura, desemprego, escolaridade, gasto em saúde, desigualdade social e taxa de homicídios.

Cada resultado foi comparado com os números obtidos por países emergentes cujo desempenho era semelhante ao brasileiro até 2002.

xInflação

Em função disso, para cada índice o grupo de países muda. Esses grupos são chamados de “grupos de controle sintético”.  No caso da análise sobre a inflação, por exemplo, a comparação é feita com China, Hungria, Peru, Turquia e África do Sul – os países do “grupo de controle sintético”.

“O método do grupo de controle sintético procura mitigar o problema da comparabilidade (entre os países) escolhendo um grupo de comparação que seja o mais parecido possível com o Brasil de antes de 2003, no sentido estatístico”, explicam os economistas.

Nesse quesito específico, o estudo compara os resultados dos cinco países com o brasileiro, levantando a questão sobre a influência do câmbio no combate à inflação. “Desde 2003, o real valorizou mais do que a média das moedas locais do grupo”, escrevem os professores no estudo. “Logo, o pior desempenho da inflação (no período) é produto doméstico”, concluem.

Cresceu menos

Os especialistas apontam outras questões no estudo. Segundo eles, o Brasil cresceu, investiu e poupou menos, recebeu menos investimento estrangeiro direto e adicionou menos valor na indústria, perdeu competitividade e produtividade, avançou menos no setor de Pesquisa e Desenvolvimento e piorou a qualidade regulatória.

A avaliação dos economistas é a de que o país teve desempenho “pior ou igual em quase todos os setores importantes”. Eles ainda ressaltam, no estudo, que a escolaridade avançou menos que nos outros países, a despeito de maiores gastos. “Fomos melhor no mercado de trabalho, onde avançamos na margem mais fácil: colocar as pessoas para trabalhar”.

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