Impactos da seca prolongada pressionam preço da comida

Por fabiosaraiva

cafe-alimentos-inflacaoO impacto da seca prolongada chegou com força à mesa do brasileiro neste mês. Em março, os preços dos alimentos e bebidas subiram 1,11%, o dobro da variação verificada em fevereiro.

Com isso, no acumulado de 12 meses, a alta chegou a 6,39%, segundo a prévia da inflação oficial, o IPCA-15. E o consumidor precisa estar com o bolso preparado para mais aumentos de preços. Segundo economistas, os efeitos da estiagem devem durar, pelo menos, até abril.

“Vilão da inflação” no ano passado, o tomate voltou a registrar forte alta, de 28,5% em março. Os preços de verduras e frutas também subiram no período. A alface, por exemplo, está 16,49% mais cara, enquanto o preço da laranja aumentou 12%.

“Além de tomate, outros itens como batata e cebola tiveram aumento de preços devido às condições climáticas. São produtos que não conseguimos estocar e acabam sofrendo reajuste imediato”, explica  o economista da Austin Rating Wellington Ramos.

Da mesma forma que apresentaram aumento de preços em função da estiagem, esses produtos tendem a ficar mais barato com a melhora das condições climáticas.

“Os choques de oferta têm como causa as condições climáticas adversas. As altas de preços devem se estender até abril, mas tudo vai depender das condições climáticas”, afirma a economista da Tendências Consultoria Adriana Molinari.

 

carne-alimentos-inflacaoCarne e café

Outro item de peso nos gastos do brasileiro com alimentação mostra tendência de alta de preços nos próximos meses: a carne bovina. Segundo a inflação medida pelo IGP-M na segunda prévia de março, os preços ao produtor tiveram uma alta de 2,9%, após alta de 0,95% em fevereiro.

A aceleração é consequência do aumento da demanda para exportação e do clima seco, que prejudicou as pastagens. Outro fator de pressão é o aumento de preços da soja e do milho. “São insumos utilizados para a ração animal. Com a alta, acabam ocorrendo repasses para a carne”, diz Ramos.

Além da carne, o clima seco também deve deixar o café moído mais caro nas gôndolas do supermercado. Os preços ao produtor aceleraram a alta de 5,44% para  28,34% entre fevereiro e março. E a indústria do setor já estima um reajuste de 35% ao longo deste ano.

A Tendências Consultoria prevê uma elevação de 7,12% nos preços de alimentos e bebidas neste ano. Assim como aconteceu no ano passado, quando registrou alta de 8,48%, o grupo deve ser uma das principais fontes de pressão inflacionária em 2014. A expectativa da consultoria é que a inflação oficial, o IPCA, encerre o ano em 6%.

“Mas há um viés de alta nessas projeções devido aos a esses choques de oferta”, afirma Adriana Molinari.

 

20140324_SP08_Efeitos-da-estiagem

 

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