Preços de imóveis sobem menos em fevereiro

Por fabiosaraiva

O período de forte valorização imobiliária pode estar ficando para trás. Após quase triplicarem de valor desde 2008 em algumas regiões, os imóveis vêm intensificando o ritmo de desaceleração de alta de preços.

Em fevereiro, os preços anunciados dos imóveis em 16 cidades registraram alta de 0,57%, segundo o Índice FipeZap. A variação está abaixo da expectativa de analistas consultados pelo Banco Central para a inflação medida pelo IPCA, de 0,63%.

“Em nove cidades a variação mensal foi menor que inflação esperada para o período. Isso quer dizer que houve uma perda real, os imóveis perderam valor”, afirma pesquisadora da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) Priscila Ribeiro. Em Porto Alegre, Curitiba e Brasília, houve queda no preço do metro quadrado.

Para a economista, é difícil dizer se essa será a tendência para o mercado imobiliário em 2014. Na sua avaliação, fatores sazonais podem ter influenciado a demanda por imóveis, como os gastos extras com as despesas típicas no período e a saída de pessoas do mercado de trabalho no final do ano.

Por outro lado, afirma, o mercado de crédito continua aquecido em decorrência do aumento de renda da população. “O cenário ainda é favorável para aquisição de imóveis, o que pode pressionar os preços”, diz Priscila.

Para Luiz Calado, vice-presidente do IBEF-SP (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças), os preços dos imóveis chegaram a um patamar que as vendas só têm saído com um bom desconto. “Muitos são relutantes em vender o imóvel pelo preço de compra. Mas não perceberam que ele foi corroído pela inflação. O preço já não sobe mais há algum tempo”, afirma.

Nesse cenário, segundo o economista, ficou mais difícil para um investidor ganhar dinheiro no mercado imobiliário. Enquanto os preços dos imóveis sobem em ritmo cada vez menor, o atual ciclo de elevação de taxas básica de juros, a Selic,  deixa mais atrativas aplicações como o Tesouro Direto. “Vou investir em uma aplicação com retorno de 10% ou arriscar a sorte no mercado imobiliário?”, afirma  Luiz Calado.

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