Investimentos e agropecuária puxam PIB, segundo IBGE

Por fabiosaraiva

A economia brasileira surpreendeu no final do ano passado ao crescer mais do que o esperado. O PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 0,7% no quarto trimestre de 2013 na comparação com os três meses anteriores. Com isso, o país fechou 2013 com expansão de 2,3%, informou ontem  o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A previsão do mercado era de uma alta de 2,20%.

Em 2013, o destaque foram os investimentos, com crescimento de 6,3% sobre o ano anterior, que passou a ter participação positiva no resultado anual, de 1,3 ponto percentual.

“A grande diferença em relação a 2012 foi o desempenho dos investimentos, que tinham caído em 2012, contribuindo negativamente com o crescimento da economia”, disse a gerente da Coordenação de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca de la Rocque Pallis.

Outro destaque foi o setor agropecuário, com alta de 7% no período. Houve avanço de 1,3% da indústria e de 2% dos serviços.

O consumo do governo cresceu 1,9% no ano passado, enquanto que o das famílias, 2,3%. Neste caso, apesar de ter respondido por 1,4 ponto percentual do PIB, foi o pior resultado desde 2003, influenciado pela desaceleração da massa salarial real e o crescimento nominal de operações de crédito.

 

‘Crescimento moderado’

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a economia deve continuar com “crescimento moderado” em 2014. Na sua avaliação, se não fosse a dificuldade da economia internacional, o país  teria crescido mais em 2013. “Uma vez superada a turbulência por redução de estímulos pelo Fed [banco central dos Estados Unidos], as perspectivas para 2014 são melhores”,  afirmou.

O ministro aposta ainda em mudanças nas projeções para economia em 2014. O governo prevê uma expansão de 2,5% no PIB. O mercado espera uma alta de 1,67%, segundo o levantamento do Banco Central, divulgado na última segunda-feira. 

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Análise: Brasil não  consegue decolar

A economia brasileira cresceu apenas 2,3% no ano de 2013. O crescimento observado no ano passado foi inferior à média de crescimento do país nos treze anos anteriores (2000-2012). Além disso, esse número ficou abaixo do crescimento de outras economias emergentes, com destaque para a China.

O crescimento foi puxado, no lado da oferta, pelo setor agropecuário, o qual cresceu 7%. Por outro lado, vale destacar o baixo crescimento do setor industrial, de apenas 1,3%. Do lado da demanda o destaque foi o investimento, com alta de 6,3%. O consumo das famílias cresceu 2,3%, mostrando o impacto da inflação e do endividamento sobre os orçamentos familiares.

No final, temos mais um ano de baixo crescimento para a economia brasileira, que não tem conseguido decolar nos últimos anos. Infelizmente, as expectativas de mercado para o ano de 2014 não são melhores, apontando um número de 1,67%, segundo o último relatório Focus do Banco Central.

Reginaldo Nogueira e Eduardo Coutinho – Coordenadores do Ibmec/MG


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