Governo federal faz corte de R$ 44 bilhões no Orçamento

Por fabiosaraiva

Em meio a uma crise de confiança do mercado na política fiscal, o governo federal anunciou nesta quinta-feira um corte de R$ 44 bilhões do Orçamento. Com isso, o governo vai perseguir uma meta de superavit primário – economia para o pagamento de juros da dívida pública – de R$ 99 bilhões, o equivalente a 1,9 % do PIB.

A meta fiscal dos governo regionais é de R$ 18,2 bilhões, o equivalente a 0,35% do PIB. Já a do governo central é de R$ 80,8 bilhões, ou 1,55% do PIB.

“Já fizemos resultados maiores no período pré-crise, mas no período da crise fica mais difícil fazer resultados (primários) maiores”, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que considera a “projeção bastante realista”.

O governo tem sido alvo de intensas críticas sobre a condução da política fiscal, com muitas manobras e pouca transparência.  Economistas receberam bem o contigenciamento anunciado ontem pelo governo, mas continuam cautelosos e aguardam sinais de como o governo brasileiro irá atuar para cumprir a meta fiscal.

“É um comprometimento ‘crível’, sério por parte do governo, pois mostra que ele vai ficar mais empenhado no combate à inflação e com instrumentos mais bem vistos do ponto de vista do crescimento, com o corte de despesas”, disse à “Reuters” o economista Gustavo Mendonça, da Saga Capital.

Após o anúncio, as taxas futuras de juros caíram, indicado que cresceram as apostas de que o ritmo de alta da Selic vai ser reduzido de 0,50 para 0,25 ponto porcentual. O Ibovespa subiu 0,29%, a 47.288 pontos. Já o dólar recuou 0,74%, a R$ 2,3727, menor patamar de fechamento desde 22 de janeiro, quando fechou em R$ 2,3725.

O governo preservou no Orçamento de 2014 as áreas de Saúde, Educação, Desenvolvimento Social e Ciência, Tecnologia e Inovação. Por outro lado, cortou diversas despesas em outras áreas, com destaque para a Defesa e emendas parlamentares, além de investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

A equipe econômica também reviu para baixo a projeção para o crescimento da economia em 2014,  de 3,8% para 2,5%. No entanto, o número ainda é mais otimista do que as projeções do mercado, de 1,79%.

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