Governo argentino limita compra mensal do dólar

Por Caio Cuccino Teixeira
Após medidas, dólar se mantém em 8 pesos | Enrique Marcarian/Reuters Após medidas, dólar se mantém em 8 pesos | Enrique Marcarian/Reuters

Para impedir a fuga de divisas do país, o governo argentino decidiu pela flexibilização dos rigorosos controles cambiais que vem impondo desde outubro de 2011.

A Casa Rosada anunciou nesta segunda-feira que os poupadores argentinos poderão comprar até US$ 2 mil por mês se estiverem em dia com seus impostos. Para fazer a transação é preciso ter renda mínima mensal de 7.200 pesos (US$ 900). Além disso, o valor adquirido deverá corresponder a até 20% do salário.

Sobre as compras de dólares incidirá um imposto de 20%, a não ser que as divisas permaneçam depositadas em uma conta bancária por ao menos 365 dias, quando estarão liberadas do tributo.

Após o anúncio da medida, o dólar fechou o dia cotada a 8,015 pesos na venda, uma leve alta de 0,15%. No paralelo, a moeda americana foi negociada a 12,20 pesos.

Em sua primeira declaração desde a maior desvalorização do peso em 12 anos, ocorrida na última quinta-feira, quando ele havia caído 11%, Cristina Kirchner acusou os bancos, “com a cumplicidade de grupos econômicos, exportadores e importadores”, de fazer especulação sobre o câmbio de países emergentes.

“Parece que alguns querem nos fazer tomar sopa outra vez, mas agora com garfo. Quem? Os mesmos de sempre. Os que ficaram com suas economias em 2001 e que nós tivemos que pagar com o Boden 12 [Bônus do Estado Nacional]”, escreveu ontem a presidente no Twitter.

Os supermercadistas já anunciaram que a alta do dólar vai repercutir nos preços dos produtos. “A inflação por lá começou a aparecer e a sensação de descontrole é gigante”, diz Samy Dana, economista da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Turista brasileiro

Segundo o economista, como há uma pouca credibilidade no governo, e por conseguinte, nos pesos, os argentinos estão pagando preços altíssimos em outras divisas. “O turista brasileiro tem grande poder de barganha com reais e dólares na mão, afinal, estão todos sedentos por qualquer coisa que não seja pesos”, diz Dana.

Análise – Delfim: risco de contaminação é reduzido

O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto, colaborador da Rádio Bandeirantes, disse acreditar que é muito reduzida a chance de contaminação da economia brasileira pela crise na Argentina. Para ele, não há mais confusão de um país com o outro.

“Todo mundo sabe que o nosso comportamento é de outra natureza. Quando fizemos o ‘default’, nunca dissemos que não iríamos pagar. Pelo contrário, negociamos. O Brasil fez o que tinha de fazer quando mexeu no câmbio e fez adequadamente”, disse.

Delfim considerou ainda um “exagero” o Brasil ser incluído no grupo dos cinco países mais frágeis em relação ao câmbio, ao lado de África do Sul, Índia, Indonésia e Turquia. “A situação brasileira é muito melhor que a desses países.”

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