Taxa de juros do cheque especial alcança 143,3% ao ano

Por Carolina Santos

Os juros bancários médios dos empréstimos para pessoas físicas subiram pelo quarto mês seguido em setembro e atingiram o maior patamar em 17 meses. Entre agosto e setembro, a taxa anual média com recursos livres (que excluem habitação, BNDES e crédito rural) passou de 36,5% para 37,2%.

É a maior taxa de juros desde abril de 2012, quando estava em 39,4% ao ano. Os dados foram divulgados ontem pelo Banco Central (BC).

O aumento dos juros para pessoas físicas acompanhou o ciclo de alta da Selic, iniciado em abril deste ano para tentar conter o crescimento da inflação. Desde então, os juros básicos da economia foram elevados cinco vezes, passando de 7,25% para 9,5% ao ano.

Entre agosto e setembro, somente a taxa de juros do cheque especial subiu 4,4 pontos percentuais, ao alcançar 143,3% ao ano. Essa é a taxa mais alta desde julho de 2012 (144,2% ao ano). Entre as modalidades do crédito, o cheque especial é o mais caro.

Já a taxa para a compra de carros subiu 0,3 ponto percentual – de 20,9% para 21,2% ao ano. Para a compra de outros bens, o aumento ficou em 0,8 ponto percentual, passando de 67,6% para 68,4% ao ano.

 

Impacto da greve

Com a greve dos bancários, os clientes usaram mais o cheque especial, mesmo com taxa de juros mais alta em relação a outras modalidades para pessoas físicas. A paralisação começou em 19 de setembro e terminou em meados deste mês.

Os clientes deixaram de fazer depósitos para cobrir a conta e não tiveram acesso a modalidades de crédito com taxas mais baixas, segundo o Banco Central. “O cheque especial, quer seja pela restrição ao acesso para depósito ou por ser crédito prontamente disponível, pode ter crescido nesse período por causa da paralisação”, disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.

A restrição parcial do acesso aos serviços bancários contribuiu para a queda de 3% nos empréstimos às famílias.

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