Companhia Repsol não participará de leilão, segundo jornal americano

Por Carolina Santos

A companhia espanhola de petróleo Repsol não irá participar do leilão para explorar o Campo de Libra, divulgou, nesta segunda-feira, o jornal americano “The Wall Street Journal”, que recebeu a informação de um porta-voz da empresa.

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Segundo a publicação, o leilão chamou a atenção de grandes companhias de petróleo do mundo todo, como Shell, Total, China National Petroleum Corp., e CEO. As empresas teriam se interessados pela estimativa da capacidade de produção do Campo de Libra, entre 8 e 12 bilhões de barris de petróleo.

A Repsol chegou a estudar sua participação no leilão por uma joint-venture com a Sinopec, da China, informa o “Wall Street Journal”.

De acordo com o jornal, o leilão do Campo de Libra tem sido criticado por brasileiros preocupados com a riqueza do país, que “estaria sendo entregue a empresas do setor privado”.

Segurança
Um forte esquema de segurança foi montado no entorno do hotel na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro, onde vai ser realizado, às 14h, o primeiro leilão do pré-sal. O governo garantiu que a disputa vai acontecer hoje mesmo que reste apenas um concorrente.

Manifestações já acontecem no entorno do hotel desde a manhã desta segunda. Por isso, um forte esquema de segurança foi montado. Desde sábado, 30 homens do Exército, com escudos e armamentos não letais, já faziam a segurança do entorno. O efetivo total empregado na operação será de 1,1 mil agentes.

A Secretaria de Segurança Pública do Rio informou que integrantes das polícias Civil e Militar vão atuar junto com o Exército brasileiro para garantir a lei e a ordem no leilão do Campo de Libra. A ação foi determinada pela presidente Dilma Rousseff.

O Campo de Libra do pré-sal foi descoberto em 2010, na Baía de Santos, a 170 quilômetros do Rio, e é considerado a maior reserva de petróleo já descoberta no país.

Das onze empresas credenciadas para a disputa, nove são estatais estrangeiras – três delas chinesas. O governo garante que o leilão vai ser realizado, mesmo que reste apenas um concorrente.

Pelas estimativas da ANP (Agência Nacional do Petróleo), o Campo de Libra tem uma reserva de 8 a 12 bilhões de barris. No auge da produção, 1,4 milhão barris devem ser retirados por dia do fundo do mar, mais da metade do que o Brasil produz hoje.

Pelas regras do leilão, a Petrobrás terá um mínimo de 30% de participação nos consórcios e será a operadora exclusiva do campo.

A camada pré-sal
A região do pré-sal brasileiro, que prenuncia gigantescas reservas de petróleo e gás em volumes ainda indefinidos, é uma sequência de rochas sedimentares depositadas há mais de 100 milhões de anos no espaço geográfico formado pela separação dos continentes Americano e Africano, que começou há 150 milhões de anos.

A Província do pré-sal compreende uma área de 112 mil quilômetros quadrados, que vai do litoral do Espírito Santo ao de Santa Catarina. Desse total , 41 mil quilômetros quadrados – o equivalente a 38% de toda a área – já foram concedidos em licitações realizadas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo) e, portanto, estão fora do novo marco regulatório.

A Petrobras detém 35 mil quilômetros quadrados do total já concedido. Há, ainda, 71 mil quilômetros quadrados de área sujeita a concessão.

Até o momento, foram avaliadas as áreas de Tupi e de Iara, ambas na Bacia de Santos, e a do Parque das Baleias, na Bacia de Campos, no litoral do Espírito Santo. A estimativa é de um volume mínimo de 9,5 bilhões de barris, podendo chegar a 14 bilhões, o que praticamente dobra as atuais reservas do Brasil, hoje de 14 bilhões de barris.

A maior descoberta, até agora, está no Campo de Tupi, onde a Petrobras já iniciou o teste de longa duração, com a coleta de dados e de conhecimento técnico para a exploração de toda a área do pré-sal.

Somente em Tupi, as reservas estimadas estão entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo leve e gás natural. Outra importante descoberta de óleo leve nos reservatórios do pré-sal se deu na área conhecida como Iara, explorada pela Petrobras, que opera o campo com 65% de participação em consórcio formado pela BG Group (25%) e a Galp Energia (10%).

Exploração
As estimativas apontam para um volume entre 3 bilhões e 4 bilhões de barris de petróleo leve e gás natural. Essas estimativas foram confirmadas por teste a cabo, que revelaram a existência de petróleo leve numa área de cerca de 300 quilômetros quadrados.

Iara está localizado na área ao norte de Tupi, a cerca de 230 quilômetros do litoral da cidade do Rio de Janeiro, em lâmina d’água de 2.230 metros. A profundidade final atingida pelas perfurações chegou a 6.080 metros.

Em novembro do ano passado, a Petrobras concluiu a perfuração de dois novos poços na seção pré-sal do litoral do Espírito Santo e comprovou expressiva descoberta de óleo leve na área denominada Parque das Baleias, ao norte da Bacia de Campos.

O volume das descobertas, feitas em reservatórios do pré-sal localizados abaixo dos campos de óleo pesado de Baleia Franca, Baleia Azul e Jubarte, é estimado entre 1,5 bilhão e 2 bilhões de barris de petróleo e gás.

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