Investidor tem alívio em julho, mas deve manter cautela

Por Carolina Santos

O mês de julho trouxe um pouco de alívio para o investidor. Com a desaceleração da inflação no mês passado, todas as aplicações apresentaram pela primeira vez no ano ganho real. Um dos destaques foi a Bolsa, que fechou o seu primeiro mês no azul, com uma alta de 1,64%.

Isso não significa, no entanto, uma mudança de cenário. Para analistas, o momento ainda exige cautela. “Não mudou nada. O cenário continua incerto”, diz Arnaldo Curvello, diretor de gestão de recursos da Ativa.

A avaliação é de que a recuperação da Bolsa em julho foi pontual. Refletiu a manutenção do discurso do Fed, o banco central norte- americano, sobre o programa de estímulos à economia dos EUA, dados positivos da atividade da China e recuperação das ações da OGX, do empresário Eike Batista, entre outros fatores. “O mercado vai continuar bem volátil até o final do ano”, afirma Mitsuko Kaduoka, diretora de análise de investimento da BI&P – Indusval & Partners Corretora.

O baixo crescimento da economia, a alta do dólar e as perspectivas de altas dos juros contribuem para o pessimismo no mercado nacional. “A valorização do dólar não apareceu ainda na inflação medida pelo IGP-M”, acrescenta Mitsuko.

Diante desse cenário, diz a economista, o pequeno investidor deve ter cautela ao aplicar em renda variável. Por outro lado, também pode ser uma boa para começar a investir na Bolsa, que, embora tenha fechado no azul em junho, acumula perdas de mais de 20% no ano. “Apesar da recuperação em julho, não há previsão de melhora. Só que os preços estão muito baixos”, afirma Aline Rabelo, coordenadora do Investmania.

Mas ela lembra que a Bolsa é um investimento de longo prazo, de três a cinco anos. “O grande segredo é escolher uma empresa sólida, buscar informações e acompanhar o desempenho”, diz Aline.

De vinte carteiras de corretoras para agosto, as ações mais recomendadas dos papéis da Vale (11 carteiras) e BRF (10 carteiras). Para analistas, essas empresas podem apresentar bons resultados nos próximos meses com a alta do dólar, que favorece suas exportações.

 

Pós-fixados

Para Mitsuko, aplicações mais conservadoras como a poupança e a LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) do Tesouro podem ganhar força. A alta da taxa básica de juros favorece os investimentos de renda fixa pós-fixados, que acompanham a Selic.

“Quem investiu no CDI [taxa que acompanha de perto a Selic] deixou de perder”, acrescenta Curvello. Para ele, existe boas opções de CDI no mercado, de títulos LCA e LCI (Letra de Crédito Imobiliário).

 

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