Maitê Proença questiona feministas, mas concorda que situação precisa mudar

Por Carlos Minuano / Metro Jornal São Paulo

“O feminismo renasceu”, afirma a atriz Maitê Proença ao Metro. Mas ela questiona um pouco a fala atual do movimento. “Parecem tratar de  débeis mentais incapazes de se defender quando atacadas por brutos”. Não são todas pobres coitadas, afirma. “Os homens estão condicionados ao que eles são e nós temos culpa nisso”.

Para a atriz, a ignorância da fatia masculina da sociedade sobre o que é ser mulher tem relação com a omissão de pais e mães, que criam homens que não entendem nada sobre o universo feminino. “Eles não sabem o que a gente gosta no sexo, o que queremos conversar, acho que a diferença é atraente, mas eles precisam de um pouco mais de informação, desde pequenos, ou viram esses mostrinhos”.

Críticas ao movimento feminista à parte, ela concorda que a situação da mulher precisa mudar, em vários aspectos na sociedade.

“Mulheres fazem um terço do trabalho da humanidade e têm um por cento da propriedade, há um desequilíbrio grave aí”, aponta a atriz. Sobre o movimento antiassédio, ela não vacila: “Há regras que precisam ser estabelecidas, você não toca no meu corpo sem a minha concessão, não é não”.

Com 60 anos e quatro décadas de carreira, a atriz Maitê Proença está de volta aos palcos para uma imersão em que mistura feminismo e uma experiência cênica que ganhou o nome de pós-teatro. E a oportunidade para esse mergulho ela encontrou em um texto literário do século 14.

Na peça “A Mulher de Bath”, do britânico Geoffrey Chaucer, com direção assinada por Amir Haddad, ela encontrou um caminho para mergulhar em dilemas bem contemporâneos do universo feminino.

“Existem temas que são atemporais”, afirma a atriz. “A liberdade,  a opressão e a desvalia da mulher atravessam toda a humanidade”. Segundo ela, as circustâncias mudam, mas a questão fundamental permanece a mesma.

Politicamente incorreto

Sem as cortinas que se fecham e abrem para o surgimento dos personagens, o pós-teatro despojado e politicamente incorreto do diretor Haddad prescinde da ilusão, explica Maitê. “A magia não precisa de mistério, se alguém tossir demais na plateia eu posso ir lá e dar um copo de água, é muito mais vivo quando se faz dessa maneira”.

A peça “A Mulher de Bath” reestreia nesta sexta, 9, no Teatro Faap, em São Paulo, e depois segue em turnê pelo país.

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