Por que 'A Forma da Água' venceu como melhor filme no Oscar 2018?

Por Metro Internacional

“A Forma da Água” foi o filme mais indicado ao Oscar e ganhou em quatro categorias: melhor design de produção, melhor trilha sonora, melhor filme e direção.

O romance aquático fantástico entre uma mulher muda e um homem-peixe foi dirigido por Guillermo del Toro, um diretor mexicano reconhecido por seus filmes que misturam drama, ficção e fantasia.

A magia do conto de fadas para adultos

Faz bastante sentido que “A Forma da Água” tenha ganhado como Melhor Filme no Oscar 2018. Embora nos últimos anos os nomeados fossem independentes, como “Moonlight” e “Spotlight”, o ganhador desse ano foi uma escolha clássica da Academia: um belo filme com uma história que segue os arcos tradicionais de um romance de conto de fadas.

Outro ponto importante é a homenagem singela que a produção faz ao poder do cinema, algo que certamente também chamou a atenção da Academia. Lembram dos premiados “The Artist” e “Argo”?

As cenas na antiga sala de cinema e a sequência de dança em preto e branco não transformam “A Forma da Água” em um filme sobre o cinema, mas certamente nos faz lembrar o glamour e história de Hollywood em detalhes certeiros.

Gif Reprodução / Giphy

Fábula para momentos difíceis que funciona

Mesmo sendo ambientado há meio século, o filme mexe com a nossa empatia sobre questões que estamos vivendo atualmente. O foco da produção não é exatamente política, mas seu comentário social tem ramificações que atingem claramente esse tema.

Del Toro explicou isso à NPR desta maneira:

“O filme tenta se conectar com o outro. Você sabe, a ideia de empatia, a ideia de como nos precisamos para sobreviver. E é por isso que o título original do script quando eu escrevi foi Um Conto de Fadas para Momentos Difíceis, porque eu acho que este filme é extremamente relevante e quase como um antídoto para a maior parte do cinismo e desconexão que nós experimentamos atualmente”.

Após movimentos como #OscarsSoWhite e #TimesUp, que criticaram a falta de inclusão das pessoas de raça negra e mulheres de Hollywood, e as diversas acusações de assédio sexual na indústria, um filme sobre as injustiças chama ainda mais a atenção.

Estamos falando de personagens que enfrentam as consequências de uma sociedade que não os compreende. Hawkins é muda, Jenkins é gay, Spencer é negra e a criatura teve sua “humanidade” ignorada completamente por ser algo diferente do que estamos acostumados.

Foto Reprodução / Tumblr

Por outro lado, o vilão interpretado por Michael Shannon é tudo aquilo que odiamos em uma pessoa só: um chefe, amargo, cruel, que acredita fielmente na sua “superioridade” sobre os outros.

A escolha desse ano pode mostrar bastante sobre como a Academia pretende ser vista nesse momento como um local mais equitativo e aberto.

O debate sobre se “A Forma da Água” realmente mereceu ganhar a estatueta de melhor filme ainda vai render bastante assunto.  O que não podemos negar é que a produção desde o início foi uma forte concorrente e, mesmo que sua vitória não seja uma surpresa no momento, ela indica pistas de que Academia pode começar a seguir um novo caminho em breve.

Com informações de www.vox.com.

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