Box que reúne música, poesia, prosa e teatro de Vinicius de Moraes chega às livrarias

Por Metro Rio

A poética de Vinicius de Moraes (1913-1980) se espalhou diante da ribalta, pelas ondas sonoras, por textos na imprensa e em livros assinados pelo autor. O volume produzido pelo compositor, dramaturgo, poeta e cronista parecia impossível de ser condensado em apenas uma coleção.

No entanto, o box “Vinicius de Moraes” conseguiu reunir até obras pouco conhecidas do Poetinha. A organização, dividida em dois volumes, apresenta o resultado de um minucioso trabalho de seleção e comparação em toda a trajetória do autor.

Assim, os leitores poderão levar para casa obras como “Soneto da Intimidade” e “Soneto da Fidelidade” e aproveitar todo o lirismo de um dos maiores autores da língua portuguesa.

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Os dois livros da caixa trazem toda a produção em música, poesia, prosa e teatro do artista. Com o passar das páginas, é possível acompanhar como se deu o amadurecimento do autor ao longo das décadas.

“O poeta começa simbolista, como era a tendência no Rio de Janeiro da época. Mas, com o tempo, ele foi se aproximando dos aspectos clássicos e, paradoxalmente, se tornando cada vez mais moderno”, conta Daniel Gil, em entrevista ao Metro Jornal.

O pesquisador, doutorando em literatura brasileira pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), é um dos organizadores da caixa recém-lançada.

Vinicius em prosa e poesia
Quem lança os olhos sobre a primeira parte se depara com os poemas e a prosa poética do escritor, nascido no Rio. O capítulo “Dispersos” é o que concentra textos de coleções que tiveram pouca circulação na época de publicação.

“É possível afirmar que esta é a maior publicação com a poesia esparsa do Vinicius de Moraes. E também a mais rigorosa”, garante Daniel Gil.

Organização do material levou cinco anos para ficar pronta
No segundo volume, aflora a face bossa-novista do protagonista da coleção. Além de todas as composições musicais, estão ali também os resultados da dedicação do autor ao teatro. “Orfeu da Conceição” (1954), que virou até filme sob a direção do francês Marcel Camus, é um dos atrativos.

A profusão de áreas de atuação do escritor tornou a tarefa de reunir a produção do Poetinha um trabalho quase hercúleo. E foi diante de todo esse material que os organizadores se debruçaram até que os volumes chegassem às livrarias do país.

“O próprio Vinicius gostava de aperfeiçoar uma coisa ou outra entre as edições. Precisávamos descobrir se as mudanças nos livros tinham sido feitas por editores ou pelo próprio autor”, explica Gil.

O organizador afirma que o processo para a publicação demorou mais de cinco anos. “É um dos autores mais editados do país. Por isso, foi necessário um trabalho difícil de comparação”, revela.

Relação com a família
Todo o acervo do autor foi doado pela família para a Fundação Casa de Rui Barbosa, na zona sul do Rio. A iniciativa tinha como objetivo beneficiar empreitadas como a que deu origem ao box “Vinicius de Moraes”.

“Quando os familiares perceberam que era um trabalho sério, a tarefa foi muito facilitada. Eles se mostraram muito atenciosos”, lembra Daniel.

A introdução da coleção mostra essa proximidade com os parentes do escritor: Laetitia Cruz de Moraes, irmã do poeta, assina o texto que apresenta a coletânea aos leitores.

vinicius de moraes Reprodução
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