Hoje posso fazer só que o que me dá vontade, diz Jô Soares a Datena

Por Band.com.br
Autor revela episódios pitorescos - Marcio Scavone/ Divulgação
Hoje posso fazer só que o que me dá vontade, diz Jô Soares a Datena

Um dos artistas mais completos do país, Jô Soares completa 80 anos nesta terça-feira, dia 16. Em meio à sua agenda concorrida – embora tenha deixado a televisão, ele não para – o apresentador concedeu uma entrevista exclusiva a José Luiz Datena no programa 90 Minutos, da Rádio Bandeirantes.

Com um humor peculiar, Jô falou sobre seu dia a dia, os planos e a autobiografia que lançou recentemente e já está em sua quarta edição. "Espero fazer 90 anos, mas se não for possível, paciência", brincou.

Durante o bate-papo descontraído, o artista encorajou Datena a entrar para o mundo da política. "Acho que você seria um candidato excelente. Eu mesmo já fui convidado para alguns cargos, mas acredito que não tenho competência porque não é minha área. Se eu fosse você aceitava, não sou contra, não", opinou ao saber que o apresentador foi chamado para concorrer ao posto de senador. O veterano ainda fez questão de elogiar a entrevista que o âncora do Brasil Urgente fez com Michel Temer em maio do ano passado.

“Foi a melhor entrevista que já se fez com o presidente. Independente de ele ser uma pessoa altamente decepcionante, você o tratou com o maior respeito e isso foi uma bola super dentro. Você não deixou de perguntar tudo o que deveria, e o tratou com respeito. Talvez seja o presidente mais difícil de entrevistar porque ele está lá por acaso”, disse.

Jô também se mostrou a favor da candidatura de Luciano Huck para a Presidência da República. “Não sei se ele seria bom, mas só o fato de ser candidato para mim seria uma atitude inteligente. Tem uma hora que a pessoa está em um universo que já ganhou tudo o que poderia ganhar, então por que não dar uma mudada, uma agitada na vida? Para ele faria muito bem”, afirmou.

Com 15 mil entrevistas no currículo em 28 anos de TV, Jô consegue transitar por todas as áreas. “Graças a Deus hoje posso fazer só que o que me dá vontade. Fiz 15 mil entrevistas, em 28 anos de programa de entrevistas. Não tinha mais o mesmo impacto. Eu saía de casa sem a mesma vontade até que falei: ‘Está na hora de parar’. Por um longo período não quero fazer mais televisão”, admitiu.

Segundo Jô, ele nunca se intimidou diante de um entrevistado.  “Fiz todas as perguntas que quis fazer. Para Deus quero esperar algum tempo ainda para perguntar pessoalmente. Em uma entrevista, o importante é o que você percebe que a pessoa deixou de falar, mas se ela deixou de falar é porque não quer tocar naquele assunto e quando isso acontece não tem nada que a faça falar. Mas nunca me senti intimidado porque na hora que a pessoa senta do seu lado, ela já está numa posição de submissão, de ser interrogado”.

Apesar disso, aposentadoria é uma palavra que passa longe do vocabulário do apresentador, que fala seis línguas.  Ele, inclusive, se prepara para voltar aos palcos depois de um longo jejum. “Meu livro está indo muito bem, na lista dos mais vendidos, e estou traduzindo uma peça que começo a ensaiar no mês de março, que se chama Na noite de 16 de janeiro. Me chamou a atenção porque é exatamente na data do meu aniversário. E há muito tempo não trabalho como ator, então vou fazer uma participação”, adiantou. O espetáculo está previsto para estrear em maio.
Embora seja avesso às redes sociais – ele não tem nenhuma– o artista defende o crescimento desses espaços.  “Acho sensacional que elas deem voz a todo mundo, porque todos têm o direito de falar e têm o que falar”.

Em O Livro de Jô – Uma Autobiografia Desautorizada, o artista detalha cada passagem da sua vida, desde quando foi estudar na Europa, até os momentos de dificuldade vividos por sua família depois que seu pai perdeu tudo o que tinha e passou a morar de favor. “Tudo foi importante para a minha formação. Na vida você soma quando aprende a observar os outros”, disse ele.

Apesar de se orgulhar de sua trajetória, Jô Soares garantiu não ter saudade de nada. “Tudo o que vivi foi bem vivido e acho que a saudade não soma, não te leva a nada”, concluiu.

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