Personagens assim me dão energia, diz Fanny Ardant

Por Amanda Queirós - Metro Jornal
Aos 68 anos, diva do cinema francês encara desafio de viver transgênero no drama ‘Lola Pater’, de Nadir Moknèche - Divulgação
Personagens assim me dão energia, diz Fanny Ardant

Musa de François Truffaut, com quem foi casada, e ícone do cinema francês, Fanny Ardant, 68, não titubeou ao aceitar interpretar um homem que se transforma em mulher em “Lola Pater”, que estreia nesta quinta-feira. O filme de Nadir Moknèche não se concentra na mudança de gênero, mas no delicado reencontro de Farid – agora chamado de Lola – com o filho Zino (Tewfik Jallab). Motivado pela morte da mãe, o jovem busca o pai, de quem não teve qualquer notícia após ele ter abandonado família 25 anos antes.

O que a fez aceitar ser Lola?

Adorei tudo que vinha com essa personagem, em especial seu relacionamento com o filho. Não pensei que viveria um homem que se torna mulher. Meu trabalho, como atriz, é interpretar um ser humano. O percurso dessa pessoa é o que me interessou.


Este é um drama bem intimista. Como você buscou as nuances da personagem?

Como disse, o foco está no relacionamento dela com o filho, mas me preocupei também com o lado trágico desse homem, que passou pelo sacrifício de se separar do filho para ser verdadeiro consigo. Busquei ficar atenta a como ele reagiria ao ser confrontado pelo olhar bastante heterossexual desse filho quando ele o vê como mulher pela primeira vez.

Você fez alguma pesquisa para interpretar Lola?

Não. Fui pela intuição. Interpretar uma transgênero não é tão complicado quanto interpretar Lady Macbeth. Não preciso ser a personagem para ter uma ideia de como ela é. Além disso, cada trans é diferente. Não queria fazer uma caricatura, mas a aparência importava, essa busca por um visual feminino.

Como você equilibra as carreiras simultâneas de atriz e diretora?

É como um pingue-pongue. Adoro criar o roteiro e montar o filme que escrevi, mas, quando me surgem papéis ótimos como esse, sou movida pelo desejo. Tenho vontade de fazer personagens que me empolgam. Eles me dão muita energia.


Como foi a relação com o diretor Nadir Moknèche?

Ele é muito inteligente e sensível e sabe escrever muito bem. Eu o vejo como um velho sábio chinês. Nadir também é extremamente vulnerável e tem um grande respeito pelos atores.

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