'Quis mostrar um terremoto interior', diz diretor argentino Pablo Giorgelli sobre Invisível

Por Amanda Queirós / Metro Jornal São Paulo
Celeste Mandrut/Divulgação
'Quis mostrar um terremoto interior', diz diretor argentino Pablo Giorgelli sobre Invisível

Ao vencer o Camera D’or no Festival de Cannes de 2011, por “Las Acacias”, o então estreante Pablo Giorgelli chamou a atenção da crítica, que viu o amadurecimento de seu cinema em “Invisível”, em cartaz no Brasil. Coproduzido com o Brasil, o filme argentino segue Ely, que, aos 17 anos, engravida em um país onde o aborto é proibido.

Você tem um cinema muito humano, mas pouco óbvio.

Isso não é algo que sai naturalmente. Parto de algo um pouco mais convencional e, no processo, vou encontrando o tom certo que o filme deve ter. Isso requer muito trabalho, sem pressa, para deixar as coisas amadurecerem. Por isso demorei tanto entre “Las Acacias” e “Invisível”. Também tive duas filhas no período e quis parar um pouco, porque eu não esperava tanto do filme e ele teve muita repercussão.

Como você se apropriou do universo feminino ?

Investiguei muito. Li, falei, escutei e escrevi o roteiro com uma mulher, Maria Laura Gargarella. Quando comecei a pensar em abordar a adolescência, sempre imaginei uma mulher. Definido isso, voltei a meu próprio passado. Cresci na Boca e passei a imaginar Ely nesse bairro de classe trabalhadora, o que já define quem ela é. Aí surge a gravidez e a pergunta: o que fazer agora? A ideia do aborto está presente e empurra o filme, mas, para mim, ele se trata da busca da identidade, o desamparo e a solidão que alguns passam na adolescência.

Por que você opta por tantos closes de câmera?

Porque eu preciso contar o que acontece no interior dela. “Invisível” é sobre um conflito interno, e descobri que não precisava narrá-lo com palavras. Dentro de Ely há um terremoto. O desafio era fazer com que o espectador pudesse sentir isso.

O que significa contar essa trama em um país latino?

O que acontece com Ely é consequência de um certo contexto político, social e econômico de um capitalismo crescente que aumenta a desigualdade e gera pessoas sem vontade de nada. Ely luta contra isso mais do que contra a gravidez. A decisão dela é uma reação a isso, sem qualquer questão moral. É quase uma questão de sobrevivência.

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