Artistas cultuados mapeiam os cantos mais sinistros da capital inglesa em nova HQ

Por Carlos Minuano/Metro SP
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Artistas cultuados mapeiam os cantos mais sinistros da capital inglesa em nova HQ
A vida secreta de Londres - capa

Você sabia que o cemitério mais badalado do planeta está localizado na capital da Inglaterra? Meca de socialistas e alvo de atentados da extrema-direita por causa do túmulo de Karl Marx, o Highgate Cemetery é a morada também de outros ilustres, como Douglas Adams (autor de “O Guia do Mochileiro das Galáxias”) e Malcon McLaren (inventor dos Sex Pistols).

Esse é apenas um dos locais visitados no recém-lançado “A Vida Secreta de Londres” (Editora Veneta, 176 págs., R$ 69,90). Em quadrinhos e crônicas de autores como Alan Moore (“Watchmen” e “Do Inferno”) e Neil Gaiman (“Sandman”), o livro mapeia as entranhas mais inusitadas, sórdidas e sinistras da cidade.

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O guia atípico, organizado pelo argentino radicado na Inglaterra, Oscar Zarate, passeia por ruas esquisitas, hotéis vagabundos e todo o tipo de buraco imundo, onde circulam junkies, bêbados, prostitutas, marginais e bandidos de todas as espécies. Lugares onde a melhor opção, certamente, é não tirar selfies. Entre os locais, por exemplo, o pub preferido das vítimas de Jack, o Estripador, cenário da HQ “Do Inferno”, é revisitado por Moore.

O passeio inclui uma passadinha por uma das sombrias igrejas projetadas pelo britânico Nicholas Hawksmoor, que ganhou o apelido de “arquiteto do diabo”. Com seu aspecto funesto, o lugar parece mais apropriado para a realização de rituais satânicos. Teorias conspiratórias garantem que a feiura do local teria ajudado a motivar os crimes bárbaros de Jack, o Estripador.

As influências da paisagem urbanística e da arquitetura sobre o comportamento e a emoção das pessoas interligam como um fio condutor em textos e quadrinhos da obra. A inspiração veio de um conceito que surgiu na década de 1950, chamado “psicogeografia”, segundo explica o editor da Veneta, Rogério de Campos, em um artigo que abre a coletânea. “Os autores têm a ambição de retratar uma Londres não só distante daquela turística, mas uma que a própria cidade tenta esconder de si.”

Uma dessas camadas ocultas, a dos prazeres secretos da cidade, é mostrada por Neil Gaiman em “A Corte”. Outros dois destaques do livro são “O Ovo do Grifo”, primeira obra no Brasil de Iain Sinclair, um dos principais nomes da literatura britânica contemporânea e o texto “Sem sangue, sem filme”, de Tony Grisoni (um dos roteiristas de “Medo e Delírio em Las Vegas”, de Terry Gilliam).

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