'Sepultura Endurance' resgata trajetória e influência da banda de metal brasileira

Por Wanise Martinez
Reprodução
'Sepultura Endurance' resgata trajetória e influência da banda de metal brasileira

Num dos momentos de tensão e melancolia durante uma turnê, quando um colega de banda está chateado e com saudades da família, o músico Andreas Kisser diz ao baterista Jean Dolabella: “Fazer show na hora em que quer é pra poucos: Metalica, U2…”.

Isso consola o amigo, mas não resolve o problema, é claro. Mas também rende um dos melhores momentos do documentário “Sepultura Endurance”, de Otavio Juliano. É em cenas como essa que o longa é mais revelador, ao resgatar a trajetória da banda brasileira de heavy metal, uma das mais importantes do mundo.

Durante seis anos, o documentarista acompanhou os músicos por turnês. Dessa forma, captou não apenas apresentações no palco, mas pequenos momentos significativos, como esse vivido em um ônibus na estrada. Não muito depois disso, o baterista mineiro deixou a banda. Em seu lugar entrou Eloy Casagrande.

“Sepultura Endurance” tem como uma espécie de mestre de cerimônias o paulista Andreas Kisser, atualmente o integrante que está há mais tempo no grupo, do qual participa desde 1987.

Por meio de seu depoimento, o filme revisita toda a trajetória do grupo, recorre a imagens de arquivo, depoimentos de integrantes e ex-integrantes, amigos e celebridades do mundo do metal –como Lars Ulrich (do Metalica), Corey Taylor (do Slipknot), Phil Anselmo (do Pantera/Down), entre outros. Todos são unânimes em destacar a importância da banda brasileira.

Para convencer os fãs disso, Juliano não tem muito trabalho, afinal eles já sabem e concordam. A questão do filme é convencer quem mal conhece o Sepultura. E para isso, o documentário reconstrói o percurso da banda, com as entradas e saídas de integrantes e shows pelo Brasil até ganhar o mundo.

Tudo costurado pelo depoimento de Kisser –e a sorte do filme é que além de bom músico ele é extremamente carismático e ótimo contador de história, que é o que dá cadência à narrativa.

Uma das buscas do filme está em encontrar a brasilidade –um dos elementos mais diferenciais da banda– do Sepultura. Dessa forma, o sucesso de um grupo de heavy metal brasileiro no cenário mundial –e esse sucesso não é pequeno– é uma vitória contra a hegemonia norte-americana do gênero.

Somam-se a isso elementos tipicamente brasileiros que Kisser & Cia colocaram em suas músicas. Um dos entrevistados refere-se a elas como algo xamânico, tribal. Imagens de uma visita a uma tribo Xavante, em meados dos anos 1990, mostram que a comparação não é gratuita.

“Foi fora do Brasil que a gente começou a perceber como o país é único, e começamos a trazer elementos nacionais, como instrumentos de percussão típicos daqui”, explica Kisser.

A grande baixa do filme, no entanto, é a ausência dos irmãos Max e Igor Cavalera, fundadores originais do Sepultura, mas que saíram da banda, respectivamente, em 1996 e 2006.

Conforme explicam letreiros, no documentário, a dupla não quis participar do longa e o que sobra é apenas um lado da história, especialmente sobre o rompimento deles.

Entre altos e baixos da banda, recuperação de lembranças e nostalgias, “Sepultura Endurance” pode, ao fim, ser um filme que prega para convertidos. Mas é certo que esses convertidos sairão felizes do culto.

Veja o trailer do documentário:

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