Vida de John Coltrane vira HQ com olhar "jazzístico" que remete a álbum do artista

Por admin
“Coltrane”, de Paolo Parisi - Ed. Veneta, 128 págs., R$ 45 | Divulgação “Coltrane”, de Paolo Parisi – Ed. Veneta, 128 págs., R$ 45 | Divulgação

A primeira imagem – um gongo –, mostra o instrumento responsável por ecoar as primeiras notas do álbum “A Love Supreme” (1965), clássico absoluto de John Coltrane (1926-1967). Faz sentido, portanto, que o disco seja a referência da recém-lançada HQ “Coltrane”, na qual o italiano Paolo Parisi registra os principais momentos da vida deste que foi um dos maiores nomes da história do jazz.

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Dividida em quatro partes, com os nomes das quatro músicas de “A Love Supreme” – “Acknowledgment”, “Resolution”, “Pursuance” e “Psalm” –  a publicação pede para ser lida ao som do álbum, como sugere o autor. A partir daí, começa um mergulho que vai desde o início da carreira do jazzista, ainda jovem, aos 14 anos, até encontrar e trabalhar com outros mestres inquestionáveis, como Dizzy Gillespie, Thelonius Monk, Duke Ellington e Miles Davis, com quem ganhou fama e gravou “Kind of Blue”, considerado o principal disco de jazz de todos os tempos.

Usando como principal referência a biografia “John Coltrane: His Life and Music” (2000), Parisi narra em tons de improviso musical pontos fundamentais da vida do artista. Assim como no estilo musical em questão, há poucos diálogos.

A histórias das criações musicais de Coltrane estão lá, mas também os momentos tristes da curta vida dele. Negro e pobre, sofreu com o racismo e o preconceito desde criança até o final de sua vida, mas nada o impediu de se tornar um dos maiores defensores dos direitos civis nos EUA, tendo inclusive gravado um tema – “Alabama”, lançado no disco “Live at Birdland (1963) – em protesto contra um atentado cometido pela Ku Klux Klan em uma igreja batista daquele estado e que matou quatro crianças negras.

Coltrane também teve problemas com álcool e drogas, principalmente a heroína. Esses elementos ajudaram a encurtar uma carreira que ainda poderia render tantas outras maravilhas quanto seus impressionantes mais de 100 álbuns, seja como líder ou integrante de grupos.

A HQ “Coltrane” é um trabalho intenso e ousado de Parisi, que mistura as nuances do jazz, o ritmo ora quebrado, ora melódico, para narrar um pouco da vida “jazz” que foi a do saxofonista.

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