De passagem pelo Brasil, Marky Ramone fala com exclusividade ao Metro Jornal

Por Nadia
Theo Wargo/Getty Images Marky Ramone toca em SP no próximo sábado,
a partir das 19h, no Clash Club (r. Barra Funda, 969; tel.: 3661-1500. R$ 120) | Theo Wargo/Getty Images

Último integrante vivo da banda Ramones, o baterista ainda é Idolatrado pelos fãs. De passagem pelo país, ele concedeu entrevista exclusiva ao Metro e falou sobre inspirações musicais e como foi perder seus parceiros do grupo. Confira:

Os Ramones se tornaram uma das bandas mais influentes do rock. Imaginavam ter
tal importância? 

Não tínhamos a mínima ideia de que isso seria possível. No começo nossa preocupação era fazer música e mais nada. Anos depois percebemos que nossa sonoridade e atitude serviram de inspiração para outras bandas. Isso nos orgulhava muito, saber que alguém tinha interesse em tocar e ser influenciado por nossas músicas. Para os Ramones, o maior prazer era fazer música. Eu conversava muito com o Tommy, o Joey, o Dee-Dee e a gente não sonhava que isso aconteceria um dia, essa coisa de influenciar outros músicos. Mas é muito gratificante saber que agora, em 2014, ainda tem gente que curte nosso trabalho.


Você tocou com Wayne County e com o Richard Hell & The Voidoids. Como surgiu o convite para integrar os Ramones? ramones

Richard Hell & The Voidoids era uma banda muito influente no fim dos anos 1970, inclusive o Richard Hell serviu de inspiração para o Malcolm McLaren (produtor musical do New York Dolls e dos Sex Pistols)  criar a postura punk dos Sex Pistols. Eu tocava com os Voidoids em 1976 no CBGB’s e já era amigo dos Ramones. Depois que saí dos Voidoids, o Tommy, que tinha acabado de deixar os Ramones, sugeriu para o Dee Dee que eu seria um bom substituto. Então, Dee Dee me convidou e eu respondi que sim. Tocamos três ou quatro canções ao vivo e depois seguimos para o estúdio.

 

Como foi tocar com o Richard Hell? Ele é um músico importante para a geração dos anos 1970 e 1980, mas pouco conhecido nos dias de hoje.

O Richard era um poeta, uma espécie de Bob Dylan do movimento Punk. Extremamente inteligente, mas que sofria com o as drogas. Sempre achei que se ele conseguisse se libertar do vício, se tornaria um compositor de muito sucesso.

 

Existe uma ideia romântica sobre o CBGB’s (clube onde os Ramones começaram a carreira). Que lembranças você tem de toda a cena nova-iorquina dos anos 1970?

As bandas precisavam de um lugar para tocar e o Hilly Kristal (dono do CBGB’s) deu esta oportunidade. Todos os músicos se conheciam. Blondie, Ramones, Richard Hell, Johnny Thunders, Jerry Nolan, The Heartbreakers, Talking Heads, Television. Naquela época, a gente detestava muitas das bandas que tocavam no rádio. Nova York era uma cidade deprimente, com muitos problemas econômicos, crise de gasolina, greve do departamento de limpeza que transformou as ruas em uma lixeira gigante. Essa realidade começou a ter reflexo nas nossas músicas. E foi aí que as pessoas começaram a se conectar com o movimento.

 

Há rumores correndo sobre um filme dos Ramones sendo gravado por Martin Scorsese. Você está participando do projeto?

Vou acreditar quando o filme se materializar. Essa ideia foi discutida tantas vezes que agora, eu só acredito vendo, quando o filme estiver pronto. É óbvio que quero que vire realidade, afinal de contas estamos falando do Martin Scorsese. Um diretor do calibre dele não se deixa ser pressionado por ninguém.

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