Premiado, ‘Boyhood’ acompanha crescimento de garoto dos 5 aos 17 anos

Por fabiosaraiva
Ellar Coltrane contracenou ao longo de 12 anos no papel de filho de personagem de Ethan Hawke | Divulgação Ellar Coltrane contracenou ao longo de 12 anos no papel de filho de personagem de Ethan Hawke | Divulgação

Ethan Hawke esperou muito tempo até poder falar sobre “Boyhood – da Infância à Juventude”, que estreou nesta quinta-feira. Dirigido por Richard Linklater, o longa foi gravado um mês por ano, ao longo de 12 anos, e faz uma crônica sobre o crescimento de um garoto (Ellar Coltrane) dos 5 aos 17 anos e seus pais divorciados (Hawke e Patricia Arquette).

“Era difícil para as pessoas entenderem o que estava acontecendo, mas nós não queríamos falar muito antes que tudo fosse realidade”, explica o ator, para quem manter o sigilo foi tarefa árdua. “Às vezes era impossível não falar sobre isso. Além de ficar empolgado, tem o fato de eu ser tagarela também.”

“Boyhood”, que conquistou o Urso de Ouro de melhor direção no último Festival de Berlim, se destaca por manter o nível de consistência apesar dos longos intervalos entre as gravações.

“Rick [o diretor] realmente tinha uma visão”, explica Hawke. “A maioria dos filmes requer apenas um tipo imediato de disciplina, mas esse exigia uma paciência muito grande. É raro ter esse tipo de processo de gestação. Rick parece ter nascido como um cineasta já pronto. Logo, eu não acho que tenha sido difícil para ele manter a continuidade de seu estilo ao longo de 12 anos. É apenas quem ele é.”

Com esse longa, Hawke firma uma longeva parceria com Linklater, tendo participado de oito filmes dele. “Passei um bom pedaço da vida em sets com ele, mas simplesmente não posso pensar em nenhuma maneira melhor de passar esse tempo”, elogia.

O olhar do diretor para o ordinário é um dos elementos que continua a atrair o ator a trabalhar com o colega. “Muitos filmes, mesmo que sejam apenas entretenimento, deixam você às vezes se sentindo mal em relação à própria vida, porque ela não é excitante como qualquer narrativa mediana sobre a CIA. Já Rick parece se satisfazer com a vida como ela é, sem a necessidade de hiperbolizá-
la. Ele acha a vida já bastante dramática, bonita e excitante como é. Para mim, isso é revolucionário”, conclui o ator.

 

Richard Linklater, diretor de ‘Boyhood’, fala sobre o planejamento do ousado longa

Como você decidiu em que ponto acabar a história?
Sempre planejei encerrar tudo quando ele fosse para a universidade, um momento em que há um sentimento de liberdade, em que você se sente um adulto. Sempre pensei nesse como o desenlace. Não sabia como seriam exatamente os diálogos, mas sabia que esse era o tom.

Houve algumas descobertas ou surpresas ao longo do caminho que exigiram um desvio de curso?
Essa era uma colaboração de pequenos investimentos de cada um com os personagens e tudo o mais, portanto nunca houve nada intransponível. Tudo foi meio previsível. Tipo, “ok, todo mundo está um ano mais velho”. Tenho que trabalhar com isso.

O garoto não é dos protagonistas mais falastrões.
Quis que ele espelhasse a vida. Quando você é um garotinho, seus pais é que falam. Você vai aonde eles vão e você é apegado a eles, mas, quando envelhece, você ganha mais protagonismo e, de repente, é o seu gosto que dita. Então me pareceu que o desenvolvimento estava certo. E ele é um cara muito descontraído, na verdade.

Quando você escalou Ellar Coltrane ainda criança, havia alguma preocupação de como ele cresceria de forma que isso afetasse sua personalidade ou aparência?
Se ele se tornaria um cara significativamente diferente? Eu sabia que ele se tornaria ele próprio e que o filme iria naquela direção, então, se ele tivesse acabado como um jogador de futebol de 90 quilos, seria então a história de um cara que se torna um jogador de futebol de 90 quilos. Tocaria em vários dos mesmos aspectos, mas provavelmente com uma roupagem diferente.

Confira o trailer do filme:

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