Tom Zé fala ao Metro Jornal sobre novo disco ‘Vira Lata na Via Láctea’

Por Carolina Santos
Músico fala sobre seu novo disco, ‘Vira Lata na Via Láctea’, e exalta parcela  significativa da nova geração da música brasileira que trouxe novos caminhos e ainda mais energia para suas composições | André Conti/Divulgação Músico exalta parcela significativa da nova geração da música brasileira que trouxe novos caminhos e ainda mais energia para suas composições | André Conti/Divulgação

A chegada de um novo disco de Tom Zé, 78, gera sempre expectativa. Afinal, qual será a temática que o músico baiano vai colocar nas letras? Para seu novo álbum, “Vira Lata na Via Láctea”, essa ideia de tema foi deixada de lado. Tom põe agora em evidência alguns dos personagens mais marcantes da nova cena da música brasileira, como Kiko Dinucci, Tim Bernardes e Silva, que ajudaram na criação de músicas vibrantes e atuais. O cantor e compositor apresenta essas crias em shows desta sexta-feira a domingo, no Sesc Vila Mariana, com pouquíssimos ingressos disponíveis.

Que Via Láctea é essa em que o Vira Lata se perde?
(risos) É bem por aí. Essa ideia de Via Láctea tive quando jovem. Outros corpos astrais ficavam dizendo sobre a Terra: “mas que moleca saidinha, que sirigaita, que piriguete. Que moleca metida a besta! Tem água, é capaz de aparecer vida por lá! É uma simples vira lata no fundo da via láctea!”. E surgiu daí.

E a ideia desse novo disco? Ao contrário da maioria de seus trabalhos, ele não tem um tema fechado.
Surgiu imediatamente após o “Tribunal do Feicebuqui” [single que lançou em 2013 em resposta a algumas críticas que recebeu por ter gravado um áudio para um comercial da Coca-Cola]. A coisa que seria o eixo do disco é a Geração Y, que vive a chamada polifonia da subjetividade coletiva. Eu passei a estudar essas coisas, primeiro, porque me interesso por novas gerações e, depois, após ver que elas se diziam preocupadas com ética. Esse saber veio por meio da professora Nádia Lebedev, que me levou a estudos da professora Lucia Santaella sobre a emergência dos mídias. Passei a entender que essas criaturas estão fazendo um salto transformador de dimensões antropológicas. Isso seria o eixo do disco, mas o eixo se deslocou quando o jornalista Marcus Preto se tornou o produtor musical e trouxe novas ideias.

“Vira Lata na Via Láctea” - Tom Zé (Pommelo, R$ 25) “Vira Lata na Via Láctea” – Tom Zé (Pommelo, R$ 25)

Como foi o processo de gravação do novo disco?
Gravar foi muito fácil, mas levar o disco para o palco é outra coisa. Como não sou capaz de cantar para o contemplativo da plateia, eu tenho que sobrepor camadas de significado com o corpo, com a maneira de fazer, com o constante feedback que mantenho, com a plateia sob vigilância. O palco é outra guerra. A cada dia a pessoa assiste quase a um novo show, mas o disco será tocado na íntegra.

E de onde vieram as ideias para esse disco? 
Tem uma coisa que sempre digo. Quando me perguntam “o que você faz para fazer as coisas adiante?” Eu digo: “me ligo profundamente ao passado e ele me dá molas para, quando eu pular, cair adiante do presente”. Isso sempre com arranjo e músicas ousadas. Para fazer algo igual ao que já foi feito, prefiro ficar quieto em casa do que fazer disco. Esse é um trabalho bem variado, com coisas bem interessantes, no qual uma música não parece repetir nada do que foi feito.

Você trouxe diversas participações especiais, a maioria de novos nomes da música brasileira. Você já conhecia o trabalho deles?
Bom, o Criolo é conhecido em todo lugar. O Kiko Dinucci, quem me aproximou foi o Marcus… Quem imaginou que alguém seria capaz de, nesse momento, inaugurar uma nova forma de fazer arranjos descarnados, ousados? Para aproveitar bem o arranjo de Kiko em “Retrato na Praça da Sé”, mudei a letra da música. Com a Trupe Chá de Boldo foi a mesma coisa. O arranjo de “Irará” estava perfeito, não dava pra cantar em cima daqueles hits de metais, então mudei a letra porque não perderia aquele sopro nem morto! (risos)

Eles chegaram com muitas ideias…
Aconteceram muitas coisas desse tipo. Foi uma coisa curiosa, eu não imaginava que eles fossem tão capazes. Veja, o arranjo da música com Caetano Veloso [“Pequena Suburbana”] foi feito pelo Marcelo Segreto, que é da Filarmônica de Pasárgada. Foi uma convivência cheia de riqueza, que me fez estudar para diabo. Porque eu sou trabalhador, não sou gênio. Conheço alguns gênios, trabalhei perto deles, sei como eles são. Como eu trabalho no ramo, reivindico o direito de saber o que é gênio, mas eu não sou. Eu sou é um trabalhador brabo pra diabo. Alguns gênios estão no disco, como Caetano, Milton Nascimento, e esse pigmento do futuro, que é o Kiko, Tim [Bernardes, do O Terno], o Silva.

Serviço: No Sesc Vila Mariana (r. Pelotas, 141, Paraíso; tel.: 5080-3000). Sexta e sábado, às 21; dom., às 18h. R$ 32.

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