Ex-baixista do New Order fala ao Metro Jornal sobre show em SP

Por fabiosaraiva
Ex-músico do Joy Division e New Order apresenta repertório das bandas | Divulgação Ex-músico do Joy Division e New Order apresenta repertório das bandas | Divulgação

O britânico Peter Hook se tornou habitué dos palcos paulistanos. Em 2011, ele tocou por aqui um repertório de sua passagem pelo Joy Division. Em 2013, foi a vez de “Movement” e “Power, Corruption & Lies”, os dois primeiros álbuns do New Order. Agora, é a vez de ele tocar na íntegra o terceiro e o quarto disco da banda, “Low-Life” (1985) e “Brotherhood” (1986), que serão apresentados nesta sexta-feira, a partir das 23h, no Clash Club. (no final deste texto, confira vídeos de Hook ao vivo)

“Algumas das minhas canções favoritas do New Order são desses discos”, afirmou o músico, por e-mail, ao Metro Jornal. “Acho que não há uma faixa ruim sequer em ‘Low-Life’. Ele tem o mix perfeito entre dance e rock, exatamente o que o New Order era naquela época. Já ‘Brotherhood’ é interessante porque tem uma primeira metade acústica e a segunda totalmente eletrônica, algo bacana de ser ouvido ao vivo”, completa ele sobre o disco que apresenta ainda o hit “Bizarre Love Triangle”.

Para Hook, tocar essas faixas significa praticamente desenterrá-las. “Quando eu estava no New Order, os outros caras da banda se recusavam a tocar a maioria dessas músicas. Acredito que isso se devia – e ainda se deve – ao fato de eles serem um tanto preguiçosos para mudar o setlist”, alfineta. “Tem sido incrível tocar tudo agora. Sou muito grato à minha banda The Light por me permitir tocar tudo isso nos dias de hoje.”

Para agradar os fãs do Joy Division, o músico abre ainda o show com uma seleção de hits da banda de Ian Curtis.

“Será uma ótima noite assim como tem sempre sido em São Paulo, onde o público é sempre incrível”, completa um animado Hook.

Serviço: Clash Club (r. Barra Funda, 969, Barra Funda, tel.:  3661-1500). Nesta sexta-feira, às 23h. R$ 140 a R$ 200.

 

Leia abaixo, a íntegra da entrevista com o músico:

Após tocar “Low-Life” e “Brotherhood”, o que haverá mais para você tocar?
É ótimo [voltar] porque o Brasil tem sido um dos lugares onde temos conseguido excursionar com os álbuns de forma cronológica e na ordem correta. Em 2011, levamos o material do Joy Division. Em 2013, “Movement” e “Corrution & Lies”, os dois primeiros álbuns do New Order. Agora, serão “Low-Life” e “Brotherhood”. Mas, como eu quero continuar tocando o material do Joy Division, nós vamos abrir o show em São Paulo com um set de canções de Joy Division também. Será uma ótima noite assim como tem sempre sido em São Paulo, onde o público é sempre incrível. Depois disso, quem sabe? Esse é apenas o começo da turnê de “Low-Life” e Brotherhood, então ainda não tenho pensado muito sobre o futuro. Mas tenho pensado em fazer em seguida uma turnê “Substance” – há dois discos [da coletânea] “Substance”, um pelo Joy Division, outro pelo New Order – e poderíamos tocar os dois na mesma noite. Acho que seria um ótimo show. “Substance” contém algumas das músicas favoritas dos fãs. Depois disso, aí obviamente seria tempo de “Technique”, nosso quinto álbum, que será bastante excitante de se tocar.

“Low-Life” e “Brotherhood” são dois dos álbuns favoritos dos fãs do New Order. São também seus álbuns favoritos?
Algumas das minhas canções favoritas do New Order são desses discos. Por exemplo, eu realmente amo “Sunrise” porque penso que ela tem uma das melhores linhas de baixo que eu já escrevi, e há também faixas como “The Perfect Kiss” e “Subculture” que são bem boas. “Brotherhood” é um álbum interessante porque a primeira metade é acústica e a segunda é totalmente eletrônica, então é bacana ouvir isso quando tocamos ao vivo. “Brotherhood” tem faixas ótimas também, como “Broken Promise”, “Way of Life” e, é claro, “Bizarre Love Triangle”, que é provavelmente uma de nossas maiores canções. É difícil dizer quais dos discos são meus favoritos porque também amo “Power, Corruption & Lies” e “Technique”. Até “Movement”, nosso primeiro disco, é bem especial par amim. Se eu tivesse que escolher, no entanto, “Low-Life” certamente representa uma grande parte da minha vida.

Quais as principais características dos dois discos?
“Low-Life” é incrível. Acho que não há uma faixa ruim sequer nele. Ele mostra o mix perfeito entre dance e rock, que é exatamente o que o New Order era naquela época. Canções como “Sunrise” são bem roqueiras, especialmente quando você as toca ao vivo. E aí há canções como “Subculture” com as quais você pode dançar e algumas que misturam esses dois elementos. Como disse, “Brotherhood” é um álbum dividido em duas partes – 5 faixas acústicas e 4 eletrônicas. À época isso era algo bastante ousado de se fazer. Não se via muitas bandas fazendo isso. As primeiras cinco faixas de “Brotherhood” são bastante bem escritas – era 1986 e ainda éramos bastante prolíficos. Eu estava desenvolvendo algumas linhas de baixo bem interessantes e devo dizer que o trabalho de guitarra nessas faixas acústicas foi fantástico. “Bizarre Love Triangle” foi um hit tão gigantesco que talvez ele tenha colocado uma sombra nas outras faixas eletrônicas, mas músicas como “All Day Long” e “Angel Dust” ainda são incríveis, e é muito bom poder tocá-las todas novamente. Quando eu era um integrante do New Order, os outros caras da banda se recusavam a tocar a maioria dessas músicas, acredito que isso se devia – e ainda deve – ao fato de eles serem um tanto preguiçosos para mudar o setlist. Agora que estou com a minha banda The Light tem sido incrível tocar tudo, já que algumas dessas músicas nunca foram tocadas ao longo de 25 anos ou nem chegaram a ser executadas ao vivo! Sou muito grato a minha banda por me permitir tocar tudo isso nos dias de hoje.

Daft Punk criou um álbum incrível no ano passado ao mixar rock e música eletrônica – algo que você faz há tempos. Por que essa mistura ainda funciona?
Acho que é uma boa ideia fazer algo assim porque mostra que uma banda é capaz de fazer coisas diferentes e não apenas se repetir continuamente. Isso mostra que músicos têm sido bastante capazes e permite a você a liberdade de criar tipos diferentes de canções. Pessoas gostam de variedade e acho que é bom desafiar seu público e talvez dar a eles algo que não tenha ouvido antes. Esse álbum do Daft Punk é um bom exemplo – eles misturaram alguns estilos musicais bem diferentes no disco e tiveram vários convidados colaborando com eles, que é outra coisa da qual gosto porque permite a você explorar novas ideias. Alguns dos meus melhores trabalhos foram feitos em parceria. Sou fã de trazer pessoas de fora para contribuir com sua música porque elas ouvem coisas diferentes e tem ideias diferentes.

Pharell Williams tem sido o produtor mais requisitado dos últimos tempos com sua pegada hip hop. Como você enxerga essa tendência?
Para ser honesto, a cena hip hop não é algo da qual eu conheça muito. Apesar de eu conhecer o trabalho de Pharrell, não acho que ninguém pode dizer que ele não mereça estar no posto que está porque ele trabalhou arduamente em cada projeto com a qual ele se envolve.

Você gosta de subir no palco brasileiro com a camisa da Seleção Brasileira. Você teme ser vaiado por causa da nossa derrota na Copa do Mundo?
A primeira coisa a se dizer aqui é que, em geral, a Copa do Mundo foi incrível. Acho que o Brasil fez um ótimo trabalho ao sediar o torneio e acolher bem visitantes de todo o mundo. É uma pena a forma como ele acabou para o Brasil. Eu certamente não acreditava que veria um resultado assim! Mas a Alemanha é um grande time e acho que mereceu levar a taça. É em horas assim, depois de uma grande derrota, que as pessoas precisam apoiar o time e, na minha opinião, as pessoas ainda ddevem se orgulhar de usar a camisa agra mais que antes para ajudar o Brasil a voltar ao topo. Sou britânico, então, obviamente, estou acostumado a ver meu time falhar em cada tornei, mas ainda assim nós o apoiamos porque isso tem a ver com nosso orgulho nacional e um dia talvez nós consigamos ganhar algo… Se alguém me der outra camisa do Brasil, eu vou certamente usá-la com alegria!

 

Peter Hook & The Light – Temptation
Peter Hook & The Light perform the classic New Order anthem ‘Temptation’ live in Mexico City

 

Peter Hook & The Light – Love Will Tear Us Apart
Peter Hook & The Light perform the classic Joy Division anthem ‘Love Will Tear Us Apart’ live in Mexico City

 

Peter Hook & The Light – ‘Ceremony’ and ‘Digital’
Peter Hook & The Light perform Joy Division tracks ‘Ceremony’ and ‘Digital’ live in Zagreb, Croatia

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