Diretor mexicano Guillermo Arriaga segue proposta humanista em "Falando com Deuses"

Por Carolina Santos
Roteirista de ‘21 Gramas’ e ‘Amores Brutos’, diretor mexicano segue proposta humanista em ‘Falando com Deuses’ | Divulgação Roteirista de ‘21 Gramas’ e ‘Amores Brutos’, diretor mexicano segue proposta humanista em ‘Falando com Deuses’ | Divulgação

Com episódios dirigidos por nomes como Hector Babenco, Amos Gitai e Emir Kusturica, “Falando com Deuses” tem sua última sessão nesta segunda-feira, às 18h30, na Cinesala Sabesp.

Você fez ‘Rio, Eu Te Amo’ e ‘Falando com Deuses’. O que o interessa em projetos coletivos como esses?

No primeiro caso, foi uma oportunidade de trabalhar em um país que amo e em uma sociedade que desperta meu coração. Depois eu tive essa ideia de fazer um grupo de quatro filmes sobre os temas sobre os quais não tentamos falar porque é possível que a gente brigue: política, religião, sexo e substâncias, que são qualquer coisa que você coloca em seu corpo para alterar seu estado de consciência. O primeiro filme foi sobre religião. Mas “Falando com Deuses” não faz proselitismo religioso. Eu mesmo sou ateu, mas acho que é muito importante ter um diálogo intenso entre culturas e seres humanos sobre um tema tão complexo, difícil, apaixonante e apaixonado como a religião.

Sendo ateu, em que medida foi difícil para você falar sobre religião?

O filme não é sobre Deus. É sobre seres humanos que falam com seus próprios deuses. Para mim, é um filme sobre humanidade, que busca fazer as pessoas abrirem uma via para o entendimento, o diálogo, a tolerância e o respeito. Não acho ser possível que os homens matem uns aos outros por questões religiosas.

 

Ao falar de religião você fala de culturas, e esse mundo cada vez mais multicultural está bastante presente no seu trabalho.

Globalização é uma realidade. Não é possível discutir ou rejeitá-la. Ela está presente hoje. Há muitos anos, você não sabia nada de muçulmanos, budistas ou evangélicos, eles não faziam intercâmbio com a cultura latino-americana ou europeia. Quando eu era um garoto, não se falava sobre gays. É outra realidade e é importante falar disso.

 

Você pensa no cinema como ferramenta política para trazer essas discussões?

Não acho que seja uma ferramenta política, mas humanista. A arte não pode ser política, ela tem sempre que ser humanista. Ela tem que formular perguntas, mas não posso dar respostas. As perguntas permitem a oportunidade de diálogo, porque se eu me pergunto como é o outro e quero conhecê-lo, meu mundo vai ser melhor.

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