O longa ‘O Idiota’ tem efeito catártico na plateia

Por lyafichmann

É sintomático que um filme como o russo “O Idiota”, de Yuriy Bykov, faça o público encerrar uma sessão com aplausos mesmo sem a presença do diretor, como ocorreu na última sexta na 38ª Mostra Internacional de Cinema.

A história mostra um simples encanador (Artyom Bystrov) diante de um desvio moral. Ao perceber que um conjunto habitacional está prestes a desmoronar, o jovem busca as autoridades para evacuar o prédio.

Ele não imagina, porém, as implicações que tal decisão terá para os líderes da cidadezinha. O edifício em questão deveria ter sido reformado há tempos, mas os recursos foram embolsados pelos governantes, agora mais temerosos de perderem a boquinha do que preocupados com a vida dos moradores.

“O Idiota” mostra os efeitos devastadores da insistência de alguém em ser bom em meio a um mundo regido por condutas condenáveis, onde quem sempre ganhou continua ganhando e quem nunca teve nada segue na mesma. É um olhar desalentador que provoca intensa identificação em tempos de tantas denúncias de corrupção no Brasil.

Eleito melhor filme pelo júri ecumênico do último Festival de Locarno, o longa tem suas últimas exibições nesta terça-feira, às 14h, no Espaço Itaú Frei Caneca, e quinta, às 21h, na Cinemateca.

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