Memória e sonho se confundem no espetáculo ‘Desh’

Por fabiosaraiva

Nos últimos três anos, o britânico Akram Khan, 40, apresentou três de suas peças em São Paulo, mas o público paulistano parece não cansar de se surpreender com as reflexões sobre vida, morte, origem e identidade que ele coloca no palco em uma mescla de dança tradicional indiana e dança contemporânea.

Criada em 2011, “Desh” é um mergulho do coreógrafo pelas memórias do pai, oriundo de Bangladesh. Atração deste fim de semana da Temporada de Dança do Teatro Alfa, o solo nasceu por sugestão do cenógrafo Tim Yip, designer do filme “O Tigre e o Dragão” (2000). “Ele sugeriu que eu fizesse algo sobre minha origem e fiquei confuso. Afinal, o que é origem nos dias de hoje? Foi quando ele sugeriu que nos voltássemos para as raízes de meu pai. Era uma tarefa difícil, e o que eu podia fazer era recordar minha infância, repleta de busca por identidade”, explica ele.

Todos os envolvidos com a criação passaram dez dias em Bangladesh para pesquisar sons, imagens e experiências pessoais. “Foi uma aventura muito valiosa, que depois se tornou a base de ‘Desh’.”

Com música de Jocelyn Pook, responsável pela trilha de filmes como “De Olhos Bem Fechados” (1999), a obra confunde memória com sonho, valendo-se desse aspecto para criar imagens de grande impacto visual. “As heranças do passado estão conectadas com o futuro. Você precisa fazer perguntas sobre quem é e de onde vem para saber para onde vai”, diz Khan.

Ao mesmo tempo em que investe em trabalhos profundos, Khan é também um coreógrafo pop e já colaborou com a cantora Kylie Minogue, a atriz Juliette Binoche e os artistas visuais Anish Kapoor e Anthony Gormley, entre outros. Ele agora estuda transformar “Desh” em filme.

Serviço: No Teatro Alfa (r. Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro, tel.: 5693-4000). Nesta sexta-feira, às 21h30; sábado, às 20h; dom., às 18h. De R$ 50 a R$ 190.

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