Companhia americana Alonzo King Lines Ballet apresenta concepção de dança como ciência em ‘Constellation’

Por Carolina Santos

Para o coreógrafo Alonzo King, “balé não é um estilo, é uma ciência do movimento”, e disciplinas como arquitetura, matemática e medicina estão incorporadas à dança.

Essa concepção é a base de “Constellation”, obra que apresenta ao público brasileiro o trabalho de mais de 30 anos do coreógrafo à frente de sua companhia, a Alonzo King Lines Ballet, sediada em São Francisco, nos EUA.

Atração de hoje a domingo da Temporada de Dança do Teatro Alfa, o espetáculo parte da relação dos corpos com a luz, representada no palco por uma tela de LED concebida por Jim Campbell.

Não é à toa, portanto, que a trilha seja baseada em música barroca. “A luminosidade é central nessa estética”, aponta King. Em cena, a mezzo-soprano Laura Krumm canta árias do período. “Isso implica um envolvimento com uma riqueza da qual o som gravado não consegue se aproximar. Há uma espontaneidade na resposta do movimento.”

Para ele, o jogo entre tecnologia e barroco exalta a atualidade da obra. “A raiz da palavra ‘contemporâneo’ significa ‘presente/agora’. A ideia ocidental de que chegamos aqui a partir de um passado inferior  não faz sentido”, diz.

O desejo de conhecer outras formas de pensamento levou o coreógrafo a criar com monges chineses e dançarinos da África Central, o que nem sempre é compreendido pela crítica. “É importante que o espectador abandone suas expectativas. Seja isso bom ou ruim, uma obra é o resultado de uma visão e deve continuar a construir um caminho em direção a ela”, conclui. 

Serviço
No Teatro Alfa (r. Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro, tel.: 5693-4000). Sexta, às 21h30, sábado, às 20h, e domingo, às 18h. De R$ 40 a R$ 190. 

Confira trechos do espetáculo:

Constellation – Alonzo King LINES Ballet from Le Trait d’Union on Vimeo.

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