"Deus e o Diabo na Terra do Sol" marca abertura do Festival de Cinema de Brasília

Por Nadia
Cerimônia de abertura da 47ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil Cerimônia de abertura da 47ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro | Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A abertura do 47º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro foi marcada pela exibição do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, que completa 50 anos de lançamento. A obra, do cineasta Glauber Rocha, é considerada um clássico pelos críticos. Lançado em 1964, foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes. A cópia exibida na noite de ontem foi restaurada.

Festival de Brasília faz homenagem a Glauber Rocha e Eduardo Coutinho

Na abertura do evento, o secretário de Cultura do Distrito Federal, Hamilton Pereira, disse que o filme é um marco na vida do país. “Ele nos convoca, chama para colocar a nossa cara na frente do espelho, das nossas grandezas e misérias”. Paloma Rocha, filha de Glauber, esteve presente ao evento. “Eu recebo essa homenagem com carinho, orgulho. Acho queDeus e o Diabo abrir esse festival é uma honra”. Ela elogiou a retomada do antigo formato do festival, em que os filmes competem sem a separação em gênero. “Estou feliz pela retomada do seu espírito, privilegiando a autoria, a invenção e a qualidade dos filmes que estão em competição. É um festival importantíssimo, que tem a tradição de trazer para as telas o que há de mais interessante de inovação no cinema brasileiro, de linguagem e métodos de produção” acrescentou.

Sara Rocha, neta do cineasta baiano e coordenadora adjunta desta edição, trabalhou ao lado da mãe, Paloma, na restauração do material que compõe a obra deixada por Glauber. “Dez anos depois dessa imersão, a gente pode coroar, premiar o festival de Brasília com essa exibição de abertura, deixando o legado para as próximas gerações. Nesse ano que tanto se falou em ditadura militar, desse período de cerceamento da criatividade, dos modos de produção do cinema. Deus e o Diabo na Terra do Sol é um filme incontestável, um clássico do cinema nacional que não podia passar despercebido”.

O público aplaudiu a exibição da obra. “É bacana ver que um filme como esse é ainda tão atual e tem tanta poesia”, disse o ator Jorge Mesquita. Nathália Duarte, cineasta, destacou a qualidade da restauração. “Gostei muito. A qualidade está muito boa”. Entre os convidados estava também o cineasta Vladimir Carvalho. Para ele, Glauber tem uma obra ligada ao país, mas que, ao mesmo tempo, consegue ser universal. Carvalho falou também sobre a importância do evento feito na capital. “O Festival de Brasília sempre mostrou essa vinculação visceral com o cinema brasileiro. É algo extraordinário que ele tenha atravessado todas as crises possíveis, mas se mantém vigoroso, antenado, sintonizado com o que acontece no cinema do país”.

Além do ver o filme, quem esteve na abertura acompanhou a apresentação de uma orquestra de câmara composta por músicos da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro. Sob a regência do maestro Cláudio Cohen, foram apresentadas duas músicas que fazem parte da trilha sonora do filme: Bachiana nº 5, de Heitor Villa-Lobos, e Perseguição, de Sergio Ricardo. “Foi feita uma pesquisa no filme do Glauber Rocha para analisar a trilha sonora. Fizemos uma adaptação também do trabalho do Sergio Ricardo para ser um tema característico, da trilha sonora específica, sem ser de um compositor clássico”, explicou o maestro.

O coordenador-geral do festival, Miguel Ribeiro, lembrou que, nesta edição, as exibições e atividades ganharam novos espaços e mais quatro cidades do Distrito Federal participam da programação: Taguatinga, Gama, Sobradinho e Ceilândia. As atividades serão feitas em escolas públicas e uma unidade do Serviço Social do Comércio ( Sesc). “A gente ampliou o público e a participação. O público das outras cidades também vai participar do júri popular. Eu acho que isso é um ganho tanto para o festival, para os realizadores, quanto para as cidades. Brasília merecia viver essa festa com todo mundo”.

Serão exibidos filmes de diferentes regiões do país, mostrando a produção atual. A partir desta quarta (17),  o evento será espaço também para debates e seminários. “O festival é o grande espaço para divulgar, mas não só para isso. É o espaço para refletir sobre a linguagem, refletir sobre o campo do cinema, sobre os programas disponíveis, os recursos disponíveis”, disse Ribeiro. Entre os seminários, dois assuntos contam com a participação da Empresa Brasil de Comunicação, a EBC. No dia 18, o tema é O Papel das TVs Públicas e Privadas no Desenvolvimento de Políticas Locais. No dia 22 haverá o Encontro da Regional Centro-Oeste/ Norte, da EBC, com A Produção Independente.

As mostras competitivas contam com seis longas-metragens e 12 curtas. As exibições ocorrem às 20h30, no Cine Brasília, e às 21h, nas outras cidades participantes. A programação pode ser acessada no site do festival: www.festbrasilia.com.br. A cobertura completa você acompanha pelos veículos da EBC. A TVBrasil, as rádios Nacional de Brasília (AM 980 kHz) e Nacional FM Brasília (96,1 MHz), a Agência Brasil e a Radioagência trarão todas as informações do evento.

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