Diogo Nogueira e Hamilton de Holanda apresentam novo disco em SP

Por fabiosaraiva
Diogo e Hamilton cantarão música de Pixinguinha durante o show | Bruna Prado/Metro Rio Diogo e Hamilton cantarão música de Pixinguinha durante o show | Bruna Prado/Metro Rio

A mistura de instrumentos da música africana com os da brasileira, feita por Vinicius de Moraes e Baden Powell, em 1966, revolucionou a MPB. E o ritmo chamado afrossamba retornará ao cenário musical brasileiro com o CD “Bossa Negra” (Universal Music, R$ 30), de Diogo Nogueira e Hamilton de Holanda, que será lançado em show nesta terça e quarta-feira, no Teatro Net São Paulo, na Vila Olímpia.

Entre as 13 faixas do disco, há oito músicas autorais e quatro clássicos da MPB, como “Mundo Melhor”, de Vinicius de Moraes e Pixinguinha, e “Risque”, de Ary Barroso. Além disso, o repertório inclui uma inédita de João Nogueira, pai de Diogo, em parceira com Paulo César Pinheiro: “Salamandra”.

A escolha por tocar no ritmo do afrossamba aconteceu após Diogo e Hamilton se encontrarem em Miami, em 2009. “Nosso projeto já começou ali mesmo. É um ritmo que gostamos”, explica Diogo.

Para Hamilton – inventor do bandolim de 10 cordas -, o afrossamba demonstra as forças das raízes brasileiras, por misturar instrumentos da África com os do Brasil. “Escolhemos músicas de cantores que são marcados pelas matrizes do país, como Dorival Caymmi”, analisou o bandolinista.

Cenografia interativa
O palco do show receberá uma novidade: duas estruturas em formato de instrumentos de percussão que poderão ser “tocados” por meio de uma interatividade.

“Nossa expectativa com o público é maravilhosa. Esperamos que eles tenham a mesma emoção que tivemos ao produzir o disco”, afirmou Hamilton.

Serviço: Teatro Net São Paulo (rua Olimpíadas, 360, Vila Olímpia. Tel.: 4003-1212). Nesta terça e quarta-feira, às 21h. 90 min. R$ 50 a R$ 180. 12 anos.

 

Diogo e Hamilton cantarão música de Pixinguinha durante o show | Bruna Prado/Metro Rio Hamilton de Holanda | Divulgação

Veja abaixo entrevista que Hamilton de Holanda, inventor do bandolim de dez cordas, concedeu ao Metro Jornal, sobre o lançamento de seu álbum em parceria com Diogo Nogueira.

Um dos mais premiados instrumentistas da música brasileira, o carioca Hamilton de Holanda é um aficionado pelo trabalho. Radicado em Brasília, o músico está divulgando três discos simultaneamente. Ele está lançando seu novo álbum, ‘Bossa Negra’, uma parceria com Diogo Nogueira, que mistura samba e instrumentos africanos. Com vasto repertório, ele agradece as contribuições que Brasília deu à sua música.

 

Você tem divulgado em paralelo o álbum ‘Hamilton de Holanda Trio’ [lançado em abril], o projeto ‘Caprichos’ [de julho] e o disco ‘Bossa Negra’. De onde sai tanta música?
A música sai do coração, da observação do dia a dia, da natureza, da família, do trabalho. Não paro de compor. Se leio um livro, se vou a um outro país, se nasce uma criança… são tantas as inspirações que deixo fluir.

Como foi a produção de ‘Bossa Negra’?
Desde 2009 eu e Diogo Nogueira estamos nos planejando para isso. O álbum é só de afrossamba [samba com instrumentos africanos], que é um ritmo do qual nós dois gostamos.

Você estudou música em Brasília. Que influências a cidade trouxe para sua obra?
Com certeza a passagem pela UnB foi um divisor de águas em minha vida. Fui criado durante a semana estudando música na Escola de Música de Brasília e nos fins de semana no Clube do Choro, em rodas sensacionais. Tenho dentro da minha formação uma união da academia e da música informal, que conquistei em Brasília.

Diogo Nogueira é só mais um exemplo das suas extensas parcerias. De que forma a conversa com outros músicos interfere na sua obra?
As colaborações e participações só enriquecem o meu trabalho, aprendo sempre, é sempre revitalizante.

Você acaba de tocar no Lincoln Center, o principal centro de artes de NY. Como é a recepção do bandolim no exterior? É um instrumento de fato associado ao Brasil?
Existem sempre os curiosos, que conhecem o instrumento, que sabem um pouco da história, mas a presença do público que só quer ouvir música brasileira, independentemente de quem é o artista, é sempre constante. Porém, depois de um tempo viajando já tenho um público que me acompanha pelo mundo.

Quando você compõe tem em mente o objetivo de criar ‘música brasileira’, de ver nosso país refletido na sua obra?
]Nem que eu não queira isso acontece. A minha música é o retrato do meu país, da minha vida. Diria até que é uma música brasileira mundial, porque, como viajo muito, acabo incorporando um pouco de tudo que vejo e ouço.

O que ainda há a ser explorado no bandolim de dez cordas? Você pensa em brincar com mais ou menos cordas ou outros instrumentos? 
Muita coisa ainda pode ser explorada no bandolim de dez cordas. Técnicas e detalhes de harmonia, por exemplo, ainda precisam ser estudadas. Ainda bem, senão perderia a graça. Os caminhos são infinitos. E o bandolim de dez cordas é uma criança cheia de vida.

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