Ícone da música cubana, Omara Portuondo canta em São Paulo

Por fabiosaraiva
‘O palco é o motor da minha vida’, afirma Omara Portuondo | Carlos Pericars/Divulgação ‘O palco é o motor da minha vida’, afirma Omara Portuondo | Carlos Pericars/Divulgação

Após passar por Porto Alegre e Rio nesta semana, a cantora cubana Omara Portuondo, 83 anos, faz o último de seus dois shows da turnê em São Paulo neste sábado. Considerada a grande dama da música de Cuba, a diva do Buena Vista Social Club apresenta o show “Magia Negra”, em que reúne temas de jazz e música cubana de seu primeiro disco solo, gravado em 1958. No palco, Portuondo estará acompanhada por um quarteto de músicos, formado por piano, contrabaixo, percussão e bateria.

Nascida em Havana em 1930, Omara tornou-se uma reconhecida bailarina do famoso cabaré Tropicana ainda adolescente. Com sua irmã Haydee, com quem dançava e cantava, fez parte do Los Loquibambas, grupo que interpretava versões cubanas de bossa nova, com alguns toques de jazz norte-americano.

A carreira de Omara voltou a culminar novamente em 1997 com a gravação do disco Buena Vista Social Club. O álbum vencedor do Grammy reuniu-a com o grupo de exponentes da Vieja Trova Santiaguera e inspirou um documentário dirigido pelo alemão Wim Wenders, indicado ao Oscar. Além disso, colocou na vitrine mundial a deliciosa e apaixonante voz de Omara em duetos históricos com a Compay Segundo e com Ibrahim Ferrer.

Em apresentações recentes no Brasil a senhora dividiu o palco com outros artistas. O que o público pode esperar deste show solo?
Será muito especial, porque vou cantar algumas músicas do meu primeiro disco solo, “Magia Negra” (1958). É uma oportunidade única de cantar músicas que me acompanham desde quando decidi começar minha carreira individual. Estou muito feliz de poder compartilhá-las com o público brasileiro.

Por que fazer um retorno às origens nesse momento de sua carreira?
Foi um prazer regravar um disco tão especial para mim. O produtor musical Ceruto foi quem me propôs o projeto e não hesitei em dizer sim. Estava morrendo de vontade de voltar a gravar, então foi a oportunidade perfeita.

Apesar de muito cubano, o disco tem influência do jazz. Qual a importância do estilo na sua carreira?
Sim, “Magia Negra” tem dois temas de jazz de Duke Ellington (1899-1974), como “That Old Black Magic” e “Caravan”. Sempre tento trabalhar com vários estilos musicais, canto música tradicional cubana, jazz e muitos outros. Mas, na verdade, o que amo mesmo é música em geral.

Na sua idade, muitos artistas diminuem o ritmo de viagens. De onde vem tanta vitalidade?
Ainda sou muito jovem! (risos) Acho que a resposta é bem simples: quando você faz o que mais ama – sua verdadeira paixão –, a energia vem sozinha. Estar no palco compartilhando o que mais amo e recebendo tanto carinho é o motor da minha vida – sem contar a minha família, claro!

Qual o segredo para manter uma voz tão poderosa?
Cantar todos os dias! E também manter uma vida saudável. Nunca fumei, faço sempre exercícios e não tomo bebidas alcoólicas.

A senhora já tocou em locais luxuosos e tem um estilo refinado, mas ainda é uma cantora popular. Como mantém esse frescor?
É importante sempre lembrar das suas raízes. Não importa onde você esteja, o fundamental é ser muito respeitoso com a tradição.

Serviço: No Teatro Bradesco (r. Turiassu, 2.100, Bourbon Shopping, Pompeia, tel.: 3670-4100). Sábado, às 21h. De R$ 90 a R$ 360.

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