Nova coreografia de Deborah Colke estreia no Teatro Alfa

Por lyafichmann
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A coreógrafa Deborah Colker pegou gosto por contar histórias. Depois de mergulhar no universo do escritor russo Alexander Pushkin (1799-1837) e transformar “Eugene Onegin” em “Tatyana” (2011), ela se debruça agora sobre “La Belle de Jour” – não o filme de 1967, de Luis Buñuel (1900-1983), que imortalizou Catherine Deneuve como sex symbol, mas o romance no qual ele se baseia, do argentino Joseph Kessel (1898-1979).

“É um livro muito humano que fala sobre quem somos nós, o embate entre razão e instinto, carne e amor”, afirma a carioca. O resultado é “Belle”, que chega nesta sexta-feira ao Teatro Alfa após a estreia, em junho, no Rio.

Nas mãos da coreógrafa, a história é apresentada em dois atos. O primeiro, dançado com bailarinas nas sapatilhas de ponta, representa a vida da dona de casa Séverine, uma mulher bem casada, mas a quem parece faltar algo. O segundo, dançado com sapatos de salto alto, representa justamente o oposto: o bordel onde ela se transforma em Belle e se prostitui na busca por preencher esse vazio.

“Essa é uma mulher com um casamento incrível, mas que tem um buraco na existência e precisa atravessar um túnel de um mundo a outro”, diz.

O uso do balé clássico, presente em outros trabalhos de Colker, ganha ainda mais peso dessa vez e serve para dividir o espetáculo em dois momentos distintos. “Gosto da sapatilha de ponta. Acho que ela é uma extensão do pé, do corpo. É um desafio que tem resultado deslumbrante”, explica.

A dicotomia entre os dois atos também é revelada na escolha da protagonista. Em cada ato, o papel cabe a uma bailarina diferente. “Fiz isso por necessidade. A presença de Séverine no meu espetáculo é tão forte quanto a de Belle. São repertórios de movimento e qualidades plásticas e expressivas muito diferentes. Percebi que [alternar bailarinas] ia tornar isso mais claro”, afirma.

Parte do time que ajudou a coreógrafa a conceber “Belle” é o mesmo que a acompanha há anos: Gringo Cardia na direção de arte e cenografia e Berna Ceppas amarrando sua própria trilha a composições de Miles Davis e Velvet Underground. Os figurinos são de Samuel Cirnansck.

Serviço: No Teatro Alfa (r. Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro, tel.: 5693-4000). Estreia nesta sexta. Ter. qua. e qui., às 21h; sex., às 21h30; sáb., às 20h; dom., às 18h. De R$ 50 a R$ 130. Até 7/9.

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