Exposição busca combater ‘amnésia histórica’

Por lyafichmann
A crítica à violência do Estado é o cerne da performance ‘Bare Life Study’ (2005), da americana Coco Fusco | Divulgação A crítica à violência do Estado é o cerne da performance ‘Bare Life Study’ (2005), da americana Coco Fusco | Divulgação

Com a exposição “Memórias Inapagáveis – Um Olhar Histórico no Acervo Videobrasil”, que abre neste sábado no Sesc Pompeia, o curador espanhol Agustín Pérez Rubio quer enfrentar algo que o incomoda: a “amnésia histórica”.

“Esse termo designa o esquecimento de grandes acontecimentos habitualmente negativos e só recorda o passado de forma seletiva. As consequências podem ser vistas nas políticas dos governos, na educação, nos jornais e até nas pessoas”, diz.

Para isso, Rubio mergulhou nas mais de 3 mil peças que o Festival Videobrasil incorporou a seu acervo ao longo de 30 anos. “Essa coleção começou no momento em que o vídeo era uma ferramenta política de luta contra o próprio sistema econômico e de galerias de arte, mais centrado na relação do vídeo com o meio televisivo”, explica.

Faz sentido, portanto, que a maior parte das 18 obras pinçadas tenha origem em países periféricos. Segundo o curador, a seleção busca refletir os impactos que os estudos pós-coloniais tiveram na criação contemporânea.

“O Videobrasil é um festival de muitos “Suis”, ou da ideia de um Sul geopolítico que inclui não apenas a América do Sul, mas que vai desde a África à Austrália, desde o Oriente Médio à China e ao Sudeste Asiático. Com este eixo evidencio o caráter extremamente político e geográfico que encontramos nesta coleção”, afirma ele, recém-
nomeado diretor artístico do Malba, na Argentina.

Os vídeos apresentados formam uma linha do tempo desde a conquista do Brasil, como visto em “Vera Cruz” (2000), de Rosangela Rennó,  ao 11 de Setembro, discutido em “Letter to My Father – Standing by the Fence” (2005), de Carlos Motta (Colômbia).

“A exposição e os acontecimentos históricos fazem com que nos demos conta de que as histórias e vivências se repetem. O que pretendem estes artistas é seguir tendo viva essa memória de um fato conflitivo.”

Serviço: No Sesc Pompeia (r. Clélia, 93, tel.: 3871-7700). Abre neste sábado. De ter. a sáb., das 10h às 21h; dom., das 10h às 19h. Grátis. Até 30/11.

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