Famke Janssen fala sobre a maldade de sua personagem "Olivia", em "Hemlock Grove"

Por Carolina Santos
Framke Janssen interpreta Olivia Godfrey em "Hemlock Grove" | Henrique Manreza/ Divulgação Netflix Framke Janssen interpreta Olivia Godfrey em “Hemlock Grove” | Henrique Manreza/ Divulgação Netflix

Famke Janssen descreve sua Olivia Godfrey, de “Hemlock Grove”, como uma gata. “Ela é uma sobrevivente”, diz a atriz sobre a personagem, matriarca de uma família de vampiros que não mede esforços para permanecer viva mesmo que, para isso, precise matar. Apesar de ser malvada 90% do tempo em que aparece em cena, ela consegue ainda despertar um lado piedoso no espectador.
Esse aspecto é o que atrai Janssen para o papel. Famosa por ter interpretado Jean Grey na franquia cinematográfica “X-Men”, ela não é exatamente adepta ao tipo de horror empregado pelo produtor da série, Eli Roth, mas crê ser possível se valer do gênero caso haja um propósito. A performance da atriz em todos os dez episódios da segunda temporada de “Hemlock Grove” pode ser conferida no site de streaming Netflix (www.netflix.com.br), empresa responsável pela produção.
Janssen conversou com o Metro Jornal durante uma rápida passagem por São Paulo para promover a série. Confira os melhores momentos.

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Olivia é uma personagem curiosa, pois, apesar de ser praticamente o mal encarnado, algumas vezes você se pega com pena dela. Como você lida com isso?
Acho que é bem divertido interpretar personagens que parecem ser de um jeito e aí você descobre outras coisas sobre eles. É assim que vejo a vida e as pessoas. Quantas vezes não conhecemos alguém e achamos que sabemos exatamente quem é e aí surge algo completamente surprendente vindo dessa pessoa? Acho que isso é da natureza humana. E é o que gosto da Olivia nesta segunda temporada, porque todos achavam saber quem ela era e houve várias viradas diferentes na história ao longo dos episódios.

Você conhecia Eli Roth antes e o tipo de coisa que ele já tinha feito?
Não! (risos) Talvez eu devesse ter feito um pouco do dever de casa. Ele é um sádico completo! (risos) Ele adora sangue e chocar pessoas. Ele é ótimo. Definitivamente ama todo esse tipo de coisa bem mais que eu!

Eli disse que todas essas coisas meio sádicas têm um propósito. Você acredita que o gênero de horror pode fazer comentários sobre a sociedade?
Acho que as fronteiras entre arte e vida real podem ser bastante embaçadas o tempo todo. O que inspira o quie? É algo muito difícil de saber no mundo de hoje. Mas sei que vivemso em um ambiente muito violento. Talvez seja daí que, possivelmente, tudo isso saia. As pessoas precisam de uma válvula de escape para essas imagens que veem constantemente. Cada um tem uma forma diferente de processar e lidar com isso. Pessoalmente, acho muito difícil. Se a violência estiver ali por um motivo, tudo bem. Um filme como “O Iluminado” (1980, de Stanley Kubrick) é um dos meus favoritos de todos os tempos. Há mais sangue saindo daquele elevador do que jamais vi em qualquer série de TV. Nunca vou dizer que sou contra o terror, mas [aprovo] apenas quando ele tem um papel e não está lá somente para chocar.

O que você espera que aconteça com Olivia numa eventual terceira temporada?
Ah! Na sala ao lado já mapeamos o que acontece na terceira temporada. Basicamente, Olivia vai para a terapia, porque viveu centenas de anos e há muitos problemas na vida dela que precisam ser resolvidos. É quase como “Sessão de Terapia”, mas fazemos flashback por todas essas décadas em que ela viveu e a vemos nos anos 1920, nos anos 1800… São “As Aventuras de Olivia Godfrey”.

Você já dirigiu cinema. O que essa experiência lhe trouxe?
Amo dirigir, porque, por natureza, sou fissurada por controle. Acho ótimo chegar no set e não ter ninguém dizendo: “pode ir para o trailer agora, chamamos na sua cena”. Quero estar no set e ver o que acontece! Então, quando dirigi meu primeiro filme, queria estar lá antes de todo mundo. Mal podia esperar que começasse. Amei estar envolvida em todos os aspectos. A preparação, o roteiro, o figurino… Queria colocar minha marca em cada pedacinho. Para quem gosta de controlar coisas, esse é um trabalho ótimo.

Você esteve em uma franquia de super-heróis, e essa é praticamente a única coisa que se vê hoje em Hollywood. Como você percebe esse movimento?
Antes havia aqueles pequenos filmes independentes que costumavam ir para festivais e os filmes-eventos dos grandes estúdios. Entre esses dois extremos você tinha esses dramas ótimos, com orçamento intermediário. Desses eu sinto um pouco de falta, pois creio que são histórias incríveis, sobre emoções humanas, para você apenas curtir, aprender e nos quais era possível mergulhar. Eu gostaria de ver esses filmes voltarem. Parte disso tem a ver com o público que deixou de ir ao cinema. Eu mesma não vou mais tanto. Eu sou minha própria inimiga. Mas isso se deve muito pela forma como se vê TV hoje em qualquer lugar, a hora que quiser, e todo mundo tem o melhor equipamento [em casa], então fica muito mais difícil sair de casa e ir ver algo.

Você se vê voltando à TV para um programa normal de 22 episódios?
Não. Essa é uma mudança de vida. São potencialmente sete anos da sua vida que você entrega. E, se você faz isso, tem que ser algo incrível, que não seja processual. O que amo des “Hemlock Grove” é que posso fazer as duas coisas. Posso desenvolver meus projetos como roteirista e diretora e ainda atuar, mas o outro caso seria um trabalho em tempo integral. Isso não me atrai nesse momento.

Steve Wilkie/ Divulgação Netflix Steve Wilkie/ Divulgação Netflix
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