Gênero tradicional português chega atualizado em festival de SP

Por fabiosaraiva
Aos 29 anos, Raquel Tavares se revelou uma fadista proeminente | Divulgação Aos 29 anos, Raquel Tavares se revelou uma fadista proeminente | Divulgação

A 2ª edição do Festival do Fado quer ajudar a desbancar ideias erradas. Uma delas é a de que o gênero português tem cheiro de mofo – três das quatro atrações programadas para o evento, que acontece nesta terça e quarta no HSBC Brasil, trazem cantoras com menos de 30 anos. Outra é de que o estilo é engessado, restrito a canções de lamento – guitarras elétricas e sintetizadores estarão no palco para provar que isso não é verdade.

“O fado tem evoluído no tempo quer poeticamente quer musicalmente. É uma música atual, muito contemporânea e está ao alcance dos jovens”, afirma Raquel Tavares, que divide o palco com Camané, o representante mais velho dessa edição, com 46 anos.

Já Raquel, aos 29 anos, tem se consagrado como um dos principais expoentes do gênero, alvo de revalorização no próprio país. “Houve uma altura dos anos 1980 e 1990 que parecia ser careta cantar em português. Quando comecei, não tinha coragem de falar para meus amigos. Hoje isso é motivo de alarde e o fado é visto como música moderna. Virou moda”, explica.

O trabalho de Raquel busca dar um ar contemporâneo ao gênero, mas sem abandonar seus elementos tradicionais, como a guitarra portuguesa. É o contrário do que faz o projeto Amália Hoje, formado por integrantes de bandas como The Gift e Moonspell, que se apresenta hoje.

Criada em 2009 para lembrar os dez anos de morte da maior fadista do país, Amália Rodrigues (1920-1999), a iniciativa exalta o caráter pop que a cantora teve à sua época. Para isso, agrega instrumentos do rock, criando versões diferentes e atuais, mas, ainda assim, respeitosas.

A banda sobe ao lado de Carminho, a mais conhecida dessa nova geração no Brasil. Ela já esteve várias vezes no país, onde fez parcerias com músicos como Chico Buarques, Milton Nascimento, Nana Caymmi e Ney Matogrosso.

Segundo Tavares, apesar de todas essas transformações, algo se mantém inalterado no fado. “É uma música do povo, muito urbana. É obviamente uma música muito emocional. Cantar fado é cantar a vida”, sintetiza. 

 

Serviço – HSBC Brasil (r. Rua Bragança Paulista, 1.281, Chácara Santo Antônio, tel.: 5646-2120). Nesta terça e quarta, às 21h. De R$ 80 a R$ 180.

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