Estrangeiros dominam novo programa do Balé da Cidade

Por Tercio Braga
Bailarinos da companhia durante ensaio de ‘Cacti’, criada em 2010 para o Nederlands Dans Theater 2 e que ganha sua primeira montagem latino-americana | Sylvia Masini/Divulgação Bailarinos da companhia durante ensaio de ‘Cacti’, criada em 2010 para o Nederlands Dans Theater 2 e que ganha sua primeira montagem latino-americana | Sylvia Masini/Divulgação

O sueco Alexander Ekman é uma das grandes sensações da dança europeia de hoje. Com apenas 30 anos, ele tem mobilizado plateias com peças pop bastante divertidas.

O Balé da Cidade o apresenta a São Paulo de amanhã a quarta com a estreia latino-americana de “Cacti” (2010). Criada para a companhia jovem do Netherlands Dans Theater, o trabalho catapultou a carreira de coreógrafo de Ekman, que parou de dançar aos 22 anos para se dedicar a compor movimentos.

“Cacti” brinca com os estereótipos da crítica de arte de forma bem-humorada. Os cactos com os quais os bailarinos dançam sinalizam isso. “Tentei achar o objeto mais aleatório possível e que pudesse gerar várias metáforas. Acho que críticos podem criar metáforas sobre isso.”

Para ele, o trabalho é uma resposta a esses profissionais. “Críticos querem escrever as obras de artes deles ao observar a minha arte e aí vira tudo um papo de m****. Mas há algo [na peça] do qual as pessoas sempre riem e com o qual se identificam. Acho que o público comum pensa: ‘graças a Deus, alguém resolveu falar sobre isso!’”, aponta ele, que gosta de trabalhar com grupos grandes. “É muito forte ver 20 bailarinos se movendo do mesmo modo”, justifica.

O trabalho conta com uma participação no palco do Quarteto de Cordas da Cidade. A execução de música ao vivo, aliás, foi o que motivou “Antiche Danze”, a segunda peça do programa, do italiano Mauro Bigonzetti.

servico baletNo início do ano, ele remontou a animada “Cantata” (2001) para o Balé da Cidade. Na ocasião, foi instigado pela diretora artística Iracity Cardoso a criar uma peça inédita pra o grupo com música a ser executada pela Orquestra Sinfônica Municipal sob regência de Luis Gustavo Petri. De pronto veio a ideia de coreografar uma trilha do seu conterrâneo Ottorino Respighi (1879-1936). “Faz uns 25 anos que amo essa música e pensei que talvez fosse o momento certo para usá-la. É simples, mas mágica”, diz Bigonzetti.

“Assim como ‘Cantata’, essa música tem uma raiz italiana muito forte. Enquanto aquela era popular, essa é antiga, dos anos 600, mas com um sinfonismo dos anos 1900. Meu trabalho é ser capaz de tornar essa música viva. Procurei manter as variações musicais na estrutura coreográfica”, diz ele, que teve figurinos para a obra criados por Geraldo Lima.

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