Romance policial ‘Os Bons Suicidas’ traz reviravoltas e suspense

Por Tercio Braga
“Os bons suicidas” - Toni Hill - ed. tordesilhas - 392 páginas - R$ 43 | Divulgação “Os bons suicidas” – Toni Hill – ed. tordesilhas – 392 páginas – R$ 43 | Divulgação “Os bons suicidas” – Toni Hill – ed. Tordesilhas – 392 páginas -R$ 43 | Divulgação

O fã de Agatha Christie ou Stephen King que nunca pensou em escrever seu próprio livro policial que atire a primeira pedra. Este não é o caso do espanhol Toni Hill. Tendo feito sua estreia no mundo literário com o romance “O Verão das Bonecas Mortas”, lançado no ano passado e bem recebido pela crítica especializada, o tradutor de livros formado em psicologia passa de apenas fã do gênero policial para escritor de mão cheia.

Chega agora ao Brasil o seu segundo romance, “Os Bons Suicidas”, com todas as qualidades e características do livro que o antecedeu.

Hill traz de volta o inspetor Héctor Salgado neste segundo livro que dá sequência a trilogia criminal iniciada em “O Verão das Bonecas Mortas”. Desta vez, o policial enfrenta uma série de suicídios ocorridos dentro de um grupo de funcionários de uma empresa de cosméticos, em situações aparentemente sem conexão entre si.

Além de lidar com este caso, Salgado também se depara no meio de um relacionamento complicado com seu filho, que passa a viver com ele.

Paralelo à ação principal da obra, Leire Castro, parceira de Salgado que se encontra em licença maternidade, começa a investigar o súbito desaparecimento súbito da ex-mulher do seu chefe.

O ponto alto do livro são as várias reviravoltas e situações que bombardeiam o leitor à todo momento, e aprofundam a história ao mesmo tempo que parecem não ter relação entre si, o que dá aquela sensação bem conhecida aos leitores de romances policiais que, no final, tudo faz sentido e tudo é interligado.

Toni Hill: “É impossível enfrentar a morte de algum conhecido e não ter sua vida alterada”

Toni Hill | Divulgação Toni Hill | Divulgação

O Verão das Bonecas Mortas foi seu primeiro romance e também a primeira vez que conhecemos Héctor Salgado. Neste segundo livro você se sentiu mais a vontade lidando com Héctor e escrevendo histórias para ele?

Sim e não. Claro que eu conhecia melhor o personagem do que quando escrevi pela primeira vez sobre ele. De qualquer forma, você sempre tem que apresentá-lo sutilmente para potenciais novos leitores, porque você não pode pensar que todo mundo terá lido o livro anterior ou lerá na ordem correta. Então, você tem que manter o equilíbrio: é mais fácil escrever sobre ele mas também é complicado mostrar como ele é sem ser repetitivo para aqueles que leram os primeiros livros.

Qual é a coisa mais interessante sobre lidar com morte e tragédia?

Nos meus romances eu retrato pessoas comuns afetadas pela morte, perda, violência, suspeitas… Para mim é fascinante mostrar como esse tipo de evento pode mudar a vida de todos os envolvidos. Não apenas pela vítimas ou o assassino, mas também dos amigos, colegas, parentes: é impossível enfrentar uma morte violenta de alguém que você conhece e não ter sua vida alterada por isso. Minha intenção é mostrar que os impulsos do crime estão nos corações de todos, e tentar entender as circunstâncias que levaram uma pessoa normal a cometer um crime.

Você se sente pressionado para surpreender seus leitores cada vez mais?

Suspenses devem brincar com a surpresa, mas como escrito, você deve ter cuidado. Eu gosto de chocar os leitores e fazê-los se sentirem surpresos, mas não enganados. Se você utiliza muito de manobras surpreendentes, os leitores podem ficar bravos. Eles entendem uma surpresa “inteligente”, mas não aceitam tão bem se não tiver sido planejada cuidadosamente ou não soa lógica na história. Então, eu diria que não me sinto pressionado por isso, mas que gosto de obter esse efeito.

Você pretende manter o inspetor Salgado ativo depois que essa trilogia acabar ou você gostaria de experimentar novos personagens?

Depois do terceiro, que eu acabei de terminar, o inspetor Salgado vai dar uma pausa. Ele precisa disso e, honestamente, eu também. Não significa que não irei voltar à ele, mas depois de três livros eu gostaria de pesquisar novos cenários, outros protagonistas. Eu acho que será bom para ambos nos mantermos distantes por um tempo.

Você já pensou em escrever outros gêneros literários?

Eu me sinto confortável em escrever livros policiais, e acho que é uma boa maneira de refletir sobre assuntos que acho interessante dentro de tramas como essas. Era claramente a família em “O Verão das Bonecas Mortas” ou relações de trabalhos em “Os Bons Suicídas”. Não tenho certeza do que farei no futuro, um novo projeto envolve muita energia e tempo, e eu preciso me sentir cativado por isso. Eu duvido que deixarei as tramas policiais de lado, mas provavelmente vou tentar lidar com ela de uma outra perspectiva, mas, honestamente, eu não consigo dizer agora.

Você escolheu Barcelona como cenário para ambos os livros porque seria mais fácil escrever sobre lugares que você já conhecia?

Sim, faz o trabalho ser mais fácil conhecer o cenário da história, e também, Barcelona é uma cidade interessante de se escrever. Eu tentei fugir dos aspectos turísticos de Barcelona e mostrá-la como uma cidade real, com pessoas reais que trabalham, que amam, que morrem.

Quando um livro policial novo é lançado, os escritores são geralmente comparado à Agatha Christie, Sir Arthur Conan Doyler ou mesmo Stephen King. Como você se sente sobre as comparações?

Eu realmente não me importo muito com isso. Claro que é legal quando seu trabalho é comparado à alguém que você admira, e não tanto quando é um autor que você não gostar muito. Em geral, esse tipo de comparações são redutivas porque ninguém escreve exatamente igual ao outro. Mas é melhor não prestar muita atenção, senão você fica louco. Acho que foi Donna Tartt que repetiu um conselho que um autor a deu há muito tempo: “Não leia resenhas sobre seus livros, as boas não vão te ajudar em nada e as ruins irão acabar com você”. Eu adoraria seguir esse conselho, mas não consigo evitar e leio, mas acho que no futuro conseguirei!

O quanto seu passado como tradutor, editor, psicólogo e outras carreiras afetam seu trabalho como escritor hoje em dia?

Acho que me afeta da mesma maneiras que outros autores são afetados por serem doutores, advogados, ou mesmo policiais. Eu não saberia dizer até que ponto meus livros foram influenciados pelo meu diploma em psicologia ou trabalho como tradutor. Claro que estar no mundo das publicações te ajuda com alguma coisa: você lê o tempo todo, bons livros, maus livros, livros potencialmente bons que precisam de edição. Então quando você escreve, especialmente no primeiro livro, você tem uma sensação do que “funciona” e do que “não funciona” o que é difícil de explicar porque vem de anos de leitura.

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