Triste dança das cadeiras na Academia Brasileira de Letras

Por lyafichmann
A aprovação de Ferreira Gullar é dada como certa | Cecília Acioli/Folhapress A aprovação de Ferreira Gullar é dada como certa | Cecília Acioli/Folhapress

Julho foi um mês triste para as letras brasileiras. Morreram o poeta Ivan Junqueira, no dia 3, o romancista João Ubaldo Ribeiro, no dia 18, e o escritor Ariano Suassuna, no dia 23. Além do vazio na literatura, todos deixam também cadeiras livres na Academia Brasileira de Letras (ABL). Passado o luto, começa um meticuloso processo de escolha para saber quais escritores ocuparão as vagas de “imortais”.

O mais bem cotado para uma delas é o maranhense Ferreira Gullar, autor de “Poema Sujo” e de “Dentro da Noite Veloz”. “Ele é praticamente uma unanimidade. A disputa é muito política e tem muita gente indicando-o lá dentro”, afirma o professor de literatura da UnB (Universidade de Brasília) Alexandre Pilati.

Também estão bem cotados o jornalista mineiro Zuenir Ventura (“1968: O Ano Que Não Terminou”), o historiador pernambucano Evaldo Cabral de Mello (“Nassau”) e o poeta amazonense Thiago de Melo (“Os Estatutos do Homem”). “Todos eles representam muito bem nossa literatura, embora não igualem os predecessores em popularidade”, diz o professor.

O processo

A ABL tem 40 membros efetivos. Eles são escolhidos por votação secreta e ocupam o cargo enquanto viverem. Quando um acadêmico morre, a “sessão da saudade” declara vago o assento e começa a seleção. Em tese, para se candidatar basta ser brasileiro nato e ter publicado um livro.

“O critério terá de ser revisto. Ele permite que Paulo Coelho e José Sarney entrem, enquanto Marisa Monte e Chico Buarque ficam de fora. Há um crescente movimento que aceita como literatura formas além da publicação de livros. Uma hora a Academia se curvará a isso”, diz Pilati.

As votações para a escolha dos novos imortais ocorrerão em outubro, quando as cadeiras completam 90 dias vagas. A posse é marcada de acordo com a agenda do novo acadêmico.

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