Hamilton de Holanda fala ao Metro Jornal sobre sua paixão pela música

Por lyafichmann
Divulgação ‘A inspiração parece infinita’, afirma Hamilton de Holanda | Divulgação

Um dos instrumentistas mais prolíficos e premiados da atual MPB, Hamilton de Holanda mostra nesta quarta-feira toda sua habilidade e vocação musical ao lado de Thiago da Serrinha (percussão) e André Vasconcellos (baixo acústico). Com eles, executa um repertório que mescla composições próprias e faixas de nomes como João Bosco e Chico Buarque.  E avisa: “Muita coisa ainda pode ser explorada no bandolim de dez cordas.”

Só neste ano você lança o álbum “Hamilton de Holanda Trio”, o projeto “Caprichos” e o disco “Bossa Negra”, com Diogo Nogueira. De onde sai tanta música?
A música sai do coração, da observação do dia a dia, da natureza, da família, do trabalho. Não paro de compor. Se leio um livro, se vou a um outro país, se nasce uma criança, são tantas as inspirações que deixo fluir. Às vezes para, às vezes parece infinita.

Você estudou composição na universidade. O que esse mergulho teórico trouxe para o seu trabalho?
Com certeza a passagem pela UnB foi um divisor de águas em minha vida. Fui criado durante a semana estudando música na Escola de Música de Brasília e aos fins de semana no Clube do Choro, em rodas sensacionais. Tenho dentro da minha formação a academia e a música informal.

É você quem guia os improvisos ou é o bandolim que pede para ser descoberto?
As duas coisas podem acontecer. Acho que o que guia é a própria música, com momentos mais melódicos, às vezes mais rítmicos e, por outras vezes, mais harmônicos.

Seus trabalhos são repletos de participações. De que forma essa conversa com outros músicos interfere na sua produção?
As colaborações e participações só enriquecem o meu trabalho, aprendo sempre, é sempre revitalizante.

Você acaba de tocar no Lincoln Center, o principal centro de artes de NY. Como percebe a recepção do bandolim no exterior? É um instrumento realmente associado ao Brasil?
Existem sempre os curiosos, que conhecem o instrumento, que sabem um pouco da história, mas a presença do público que só quer ouvir música brasileira, independente de quem é o artista, é sempre constante. Porém, depois de um tempo viajando, já tenho um público que me acompanha pelo mundo.

Quando você compõe tem em mente o objetivo de criar “música brasileira”, de ver nosso país refletido na sua obra?
Nem que eu não queira, isso acontece. A minha música é o retrato do meu país, da minha vida. Então, é uma música brasileira mundial, porque, como viajo muito, acabo incorporando um pouco de tudo que vejo e ouço.

O que ainda há a ser explorado no bandolim de dez cordas? Você pensa em brincar com mais ou menos cordas ou outros instrumentos? 
Muita coisa ainda pode ser explorada no bandolim de dez cordas. Detalhes de harmonia, por exemplo. Técnicas ainda não descobertas, tem bastante coisa. Ainda bem, senão perderia a graça. A música me possibilita “tirar uma foto” do dia de hoje e me conectar com o passado e o futuro. Os caminhos são infinitos. E o bandolim de dez cordas é uma criança cheia de vida.

Serviço: Na Sala do Conservatório da Praça das Artes (av. São João, 281, Centro, tel.: 3053-2090). Nesta quarta, às 20h. R$ 30.

Conteúdo Patrocinado
Loading...
Revisa el siguiente artículo